Evento celebrou o legado da primeira mulher a liderar o Ilê Axé Opô Afonjá e imortal da Academia de Letras da Bahia.
O legado de Mãe Stella de Oxóssi inspirou uma programação de debates, exposição e manifestações culturais na UFBA no dia 8 de maio. Primeira mulher a liderar o terreiro Ilê Axé Opô Afonjá e primeira iyalorixá a ocupar uma cadeira na Academia de Letras da Bahia, Mãe Stella também recebeu, em 2005, o título de Doutora Honoris Causa da universidade.
A abertura do evento contou com falas do reitor Paulo Miguez, que trouxe a importância do fortalecimento dos vínculos entre a universidade e os saberes tradicionais. “O Candomblé não pode ser reduzido a objeto de pesquisa. Ele é uma das mais fortes expressões da vida baiana”, afirma.

A programação seguiu com a mesa “Saberes, escritas e memórias”, composta pelo professor Nildo Mascarenhas (Uneb), a escritora Paloma Amado e Solange Carybé, com mediação da professora Alessandra Paola Caramori (UFBA). Na sequência, a mesa “Tradição, Justiça e Ancestralidade” promoveu reflexões com a ialorixá Mãe Ana de Xangô (Ilê Axé Opô Afonjá) e o professor Edvaldo Brito, sob mediação da professora Andrea Britto.
Também integrou a programação a abertura da exposição fotográfica “Mãe Stella de Oxóssi”, assinada por Antonello Veneri, com registros que destacam a vida e a ancestralidade da homenageada.

A construção do evento contou com a participação do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, do Departamento de Museologia, do Instituto de Letras e da Pró-Reitoria de Extensão Universitária (Proext). A iniciativa buscou valorizar os saberes afro-brasileiros e fortalecer os espaços de diálogo entre a universidade e as comunidades de terreiro.
Para a professora Alessandra Caramori, uma das organizadoras, a programação reforça o compromisso da UFBA em manter vivo o legado de Mãe Stella. “Ela é Doutora Honoris Causa da UFBA. Nós somos a universidade que a homenageou em vida. Homenagear agora no centenário é uma continuidade desse reconhecimento”, conta.

