Sônia Guimarães, primeira mulher negra doutora em física no Brasil, ministra aula na UFBA sobre semicondutores e física quântica

Em celebração ao Ano Internacional da Ciência e Tecnologia Quântica, a professora explicou sobre semicondutores, física quântica e sensores infravermelhos

Foto por Larissa Carneiro

Sônia Guimarães, primeira professora negra na história do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) compareceu à Universidade Federal da Bahia para ensinar sobre “Semicondutores e a Física Quântica”, tema escolhido devido a 2025 ser o Ano Internacional da Ciência e Tecnologia Quântica por iniciativa da UNESCO. A professora explicou a respeito dos computadores quânticos, cujo desenvolvimento pode alavancar a partir do grafeno, material fino e forte composto por átomos de carbono e detentor de propriedades exóticas. Abordou também sobre os sensores de radiação infravermelha para mísseis, sua invenção na área espacial.

Com força maior que a do aço e condução elétrica maior que a do cobre, o grafeno pode auxiliar no desenvolvimento de uma nova eletrônica capaz de avançar nas pesquisas sobre os computadores quânticos. Diferente das tradicionais, as máquinas quânticas utilizam unidades de informação com base em leis que ultrapassam a física clássica, o que gera maior velocidade de processamento. Enquanto um computador normal pensa passo por passo, os quânticos testam todas as respostas possíveis de uma só vez.  “Impulsionados pelos limites, computadores quânticos logo poderão ser fundamentais para os cálculos dos desafios da humanidade, como as pesquisas de câncer. Eles vão poder fazer simulações para tratamentos de câncer muito mais rápidos, para cânceres muito mais complexos” , disse a professora durante a aula realizada na última segunda-feira do mês passado (29).

Foto por Larissa Carneiro

Sônia produziu, no Instituto de Aeronáutica e Espaço, sensores de radiação infravermelha. A invenção lhe rendeu o reconhecimento como uma das 100 pessoas mais inovadoras da América Latina pela Bloomberg Línea. Seu sensor atua na cabeça de mísseis, percebendo radiações com a mesma temperatura de um avião em movimento. O dispositivo, ao perceber essa temperatura, é sensibilizado para funcionar.

Professora do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Sônia Guimarães começou a lecionar quando mulheres ainda não podiam estudar na instituição. Em 2023, recebeu a medalha Santos Dumont de Honra ao Mérito pelas três décadas no instituto. Sua carreira, no entanto, não se prende ao ensino e à pesquisa: É presidente da Comissão de Justiça, Equidade, Diversidade e Inclusão (JEDI) da Sociedade Brasileira de Física (SBF), que atua promovendo eventos que representam os interesses dos físicos.

Para Sônia, um dos obstáculos para a maior inclusão dentro do mundo acadêmico é a falta de mulheres e pessoas não  brancas em cargos de poder nos institutos. “Quando as mulheres começarem a ocupar esses cargos de poder, vai mudar. Existem universidades no Brasil em 2025 que não tem uma única professora mulher do gênero feminino, nem branca. Imagine negra. Então isso precisa acabar. Isso é uma questão de aproveitar o nosso talento.”, disse a presidente do JEDI.

A pesquisadora fez menção à importância dos incentivos à pesquisa no Brasil. “Sem ciência não há desenvolvimento tecnológico. Sem desenvolvimento tecnológico não existe desenvolvimento econômico. Sem desenvolvimento econômico, o país não vai ser um país desenvolvido nunca”, ressaltou.

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