Novo projeto de extensão do Instituto de Psicologia da UFBA realiza sua primeira mesa de debates

Com eventos abertos à comunidade universitária, discute subjetividades plurais à luz da psicologia de maneira interdisciplinar.

Júlia Naomi

Mesa de debate “Qual é a visão de ‘fenômeno subjetivo’ para a psicanálise, o behaviorismo e a fenomenologia?”, na Faculdade de Filosofia d Ciências e Humanas da UFBA, Campus de São Lázaro. (Fotografia: Júlia Naomi)

O projeto de extensão “Deslizando entre as fronteiras da psicologia: subjetividades plurais em debate” apresentou-se ao público da Universidade Federal da Bahia nesta terça-feira (14), em uma mesa de debate com o tema “Qual a visão de ‘fenômeno subjetivo’ para a psicanálise, o behaviorismo e a fenomenologia?”. O evento, que ocorreu na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, no campus de São Lázaro, deu início às realizações mensais que devem acontecer em diferentes espaços da UFBA.

De acordo com o coordenador do projeto, o professor Ricardo Dias de Castro, especialista em psicologia social, latino-americana e decolonial, a proposta é mobilizar a comunidade acadêmica para discutir temas que envolvem psicologia e outras áreas do conhecimento fora da sala de aula. Todos os estudantes interessados, de qualquer curso ou da pós-graduação podem acessar os eventos, que reúnem profissionais da psicologia e áreas correlatas para explorar a multidisciplinaridade. 

Ricardo Dias de Castro, que mediou a mesa, afirma ainda que a psicologia é uma ciência heterogênea, com perspectivas interpretativas variadas, e os estudantes têm uma formação generalista ao longo da graduação. “A ideia desse projeto é sustentar que a psicologia como ciência e profissão é diversa, plural e contraditória, e precisamos lidar com esse conflito desde os primeiros anos de formação. É importante que tenhamos clareza sobre as abordagens epistêmicas teóricas metodológicas em torno da subjetividade”, explica.

Com as cadeiras lotadas, o debate de inauguração expôs o conceito de subjetividade para três abordagens teóricas, o behaviorismo, a psicanálise e a fenomenologia existencial humanismo Gestalt, temas estudados pelos alunos do primeiro semestre de psicologia. A mesa foi composta pelos professores Denise Maria Coutinho, doutora em letras e linguística e coordenadora do colegiado de graduação de psicologia, Maurício Moura, especialista em ciência comportamental contextual e Klessyo do Espírito Santo Freire, pesquisador sobre cultura, linguagem, transições e trajetórias desenvolvimentais.

Professores convidados para a mesa “Qual é a visão de ‘fenomeno subjetivo’ para a psicanálise, o behaviorismo e a fenomenologia?” (Fotografia: Júlia Naomi)

Os convidados, em suas explanações, convergiram para a necessidade de que o psicólogo clínico compreenda a sociedade em que se insere.  A psicologia social é uma área da psicologia que estuda a relação entre o indivíduo e a sociedade, que ocasiona a aquisição de significados determinantes nas respostas do organismo às influências externas, por exemplo, o que alegra ou entristece alguém. Klessyo Freire explica que “todo fenômeno psicológico tem relação com o mundo, portanto, é preciso conhecer o mundo em que o paciente vive”. 

Maurício Moura afirma que é preciso que os psicólogos tenham letramento cultural para compreender as construções políticas, étnico-raciais e de gênero que se entrelaçam na subjetividade das pessoas, para que não reproduzam opressões. Denise Maria Coutinho reforça que qualquer abordagem clínica da psicologia precisa acolher as pessoas sem interferência da valoração moral, ética ou política do psicólogo, e que quem não consegue agir assim, deve procurar outra carreira.

O coordenador deseja que os estudantes sejam protagonistas na proposição de atividades e na sugestão de convidados para os próximos eventos. “A princípio, não há estudantes no projeto, mas vou começar a pleitear bolsas de iniciação científica e extensão a partir do semestre que vem. Estou organizando uma agenda de leitura de editais e  mobilizando alguns alunos e alunas que já me procuraram porque têm interesse em ‘deslizar’ pelo ensino, pesquisa e extensão na psicologia”, conta. Ele também considera a possibilidade de levar o projeto de extensão para lugares fora da UFBA, para aproximar a universidade da comunidade. “Vamos quebrar esses muros”, ilustra.

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