Instituto Confúcio chega a UFBA com alta demanda por aulas de mandarim

Todas as vagas das turmas de mandarim foram preenchidas por amantes da cultura oriental e por aqueles que procuram um diferencial profissional através do idioma.

Luciana Freire

Essa é a mistura do Brasil com a China. O curso de mandarim, ministrado por professoras chinesas do Instituto Confúcio na UFBA, teve início em outubro com uma adesão expressiva, as vagas de todas as turmas foram preenchidas. A expectativa da entidade é de uma procura ainda maior no próximo semestre. Localizado no Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO), no Largo 2 de Julho, o Instituto é o órgão autorizado pelo governo chinês a aplicar exames de proficiência de língua chinesa no Brasil.

Entre os estudantes, João Marcus, apaixonado por Bruce Lee, não conseguiu uma vaga neste momento, mas está atento a novas oportunidades. Para João, a cultura chinesa “é fantástica”, ele ainda expressa o desejo de fazer uma “ponte aérea Bahia-Pequim” no futuro.

Boya Li, uma das professoras chinesas, destaca o interesse diferenciado dos alunos, observando que aqueles que têm aula no Instituto no Dois de Julho dedicam-se mais à cultura, enquanto os da faculdade de administração buscam conhecimento comercial e de carreira. Ela expressa seu encantamento com a cultura baiana, especialmente a gastronomia.

Aula no Instituto Confúcio, Dois de Julho. Foto: Luciana Freire

A Bahia tem sido alvo de investimentos chineses. Como por exemplo, a montadora BYD (Build Your Dreams), que lançou no início de outubro a pedra fundamental do complexo industrial para a produção de veículos elétricos em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). O investimento é de R$ 3 bilhões com meta de iniciar a produção no quarto trimestre de 2024, com foco na produção de veículos elétricos, chassis de ônibus e tecnologias de baterias, com o processamento de lítio e ferro fosfato.

Pensando na proximidade com a parceria chinesa, o estudante de administração na UFBA Lucas Oliveira, 35, faz aulas de mandarim pela tarde. “Estou buscando garantir um diferencial em meu currículo para trabalhos futuros. Com certeza diversas oportunidades surgirão no futuro com a chegada de tantos investimentos chineses”, disse. As aulas no Instituto também são abertas à população, ou seja, não estudantes da UFBA podem se matricular gratuitamente.

Instituto Confúcio
Dirigido pela professora Elsa Kraychete, indicada pelo Reitor da UFBA, e pelo professor Kun Zhang da Universidade de Shangai, o Instituto Confúcio, que iniciou os trabalhos em setembro, representa um passo significativo na projeção internacional do Brasil, fomentando a cooperação científica e ampliando oportunidades de empregabilidade para estudantes e pesquisadores. O Instituto também se destaca por estreitar laços com organismos culturais estrangeiros, reafirmando a tradição da UFBA.

Diretora Elsa Kraychete. Foto: Luciana Freire

“É uma grande oportunidade para estudar e acompanhar relações diplomáticas entre o Brasil e a China, uma plataforma para desenvolver agendas, analisar impactos. A China é um país que cresceu muito economicamente, o que o Brasil precisa saber para aproveitar bem esse desenvolvimento? São pesquisas que o Instituto presente na UFBA pretende fomentar”, disse a diretora Elsa Kraychete.

O professor Kun Zhang da Universidade de Shangai estuda a América Latina. Essa é sua primeira passagem por Salvador e disse estar encantado com a comida baiana. “Nós comemos muita pimenta lá, aqui encontrei uma culinária que é muito interessante, saborosa e gostei muito da pimenta”, contou. Zhang ainda reforçou a importância de um diálogo direto entre os dois países para que estereótipos fossem superados. Questionado sobre a existência do biscoito da sorte chinês, o diretor fez careta, nunca nem ouviu falar: “Não comemos isso lá”.

Instituto Confúcio, Dois de Julho. Foto: Luciana Freire

O Instituto Confúcio está presente em mais de 146 países e cumpre a missão de promover o ensino e a cultura chinesa. Integrando uma rede internacional de mais de 500 Institutos Confúcio, esta iniciativa destaca-se como um símbolo da cooperação global na educação e intercâmbio cultural.

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