Escola de Música da UFBA realiza Semana do Repertório Africano com a presença do pianista ganês William Nyaho

Durante os dias 20 a 23 de novembro, alunos de piano da EMUS participaram do evento que promoveu palestras, recitais e masterclasses sobre a música de concerto africana e diáspora negra.

Sofia Nachef


William Nyaho durante o recital realizado na quinta-feira (23). Foto: Sofia Nachef

Na semana da consciência negra, a Escola de Música da UFBA recebeu, pela primeira vez, o professor William Chapman Nyaho, pianista ganês-estadunidense, para compor a programação da Semana do Repertório Africano. A iniciativa teve o apoio da Embaixada de Gana no Brasil, que em parceria com a UFBA, trouxe Nyaho para dialogar com os estudantes sobre conhecimentos e técnicas da cultura africana na música de concerto. Durante a semana do evento, os estudantes de piano se apresentaram em recitais individuais com os repertórios musicais da África e da diáspora negra.

O pianista, em sua primeira passagem por Salvador, se diz impressionado com a performance dos estudantes e parabeniza a Escola de Música pela iniciativa de realizar esse projeto:

“Eu me sinto muito honrado em poder fazer parte disso, nessa semana, é maravilhoso que eu pude vir e pude ver o trabalho que está acontecendo, porque muitas vezes as pessoas trabalham duro e acabam não sendo reconhecidas, e pra mim é uma honra também documentar e mostrar para outras pessoas esse evento para promover a consciência negra e a igualdade.”

Para Nyaho, as vozes negras da África e da diáspora estão começando a ser ouvidas após muitos anos de apagamento, e ele se diz otimista com relação ao futuro da música negra:

“Demorou muito tempo, porque as pessoas muitas vezes pensam que a música clássica é só para os europeus. Existem muitas composições clássicas feitas por pessoas negras, mesmo nos séculos XVI e XVII na europa, mas não se falam delas. Eu sou muito otimista pelo apoio que eu vejo a gente recebendo. As pessoas estão começando a ouvir as vozes negras e entender que nossas vidas importam. Quando eu ouço esses estudantes tocando, eu acho brilhante, e essas pessoas estão em todo lugar mas precisam ser vistas, e eu sou parte disso.”

O evento, coordenado pela professora Beatriz Alessio, surgiu da necessidade, segundo ela, de trazer para a EMUS um repertório musical que refletisse a cara da cidade de Salvador, onde muito se estuda os referenciais europeus e norte-americanos. Desde 2019, a professora já introduzia estudos sobre repertórios africanos e nomes de grandes compositores negros aos alunos, mas a oportunidade de trazer um convidado e concretizar um evento dedicado a essa temática só surgiu agora, em 2023. Apesar do foco das atividades nessa ocasião ter sido o piano, Alessio pretende expandir a iniciativa para outros instrumentos e outras épocas do ano para além do mês de novembro.

“Foi uma oportunidade que se abriu e eu acho que ainda poderia ser mais ampliada, com mais tempo de duração, e poder chamar também outros pesquisadores e intérpretes envolvidos com esses repertórios. […] Mas eu também gostaria de ver o repertório ficando natural e que seja parte do projeto pedagógico da Escola de Música.”

O evento teve suas atividades iniciadas na segunda-feira (20) no Museu de Arte da Bahia (MAB), onde Nyaho apresentou um recital solo de piano com obras africanas e da diáspora negra. Na terça (21), o pianista realizou uma palestra sobre composições feitas por artistas do continente africano de diferentes épocas e suas principais características. Os dias 22 e 23 foram dedicados às atividades práticas com os estudantes de piano da EMUS, que já vinham estudando os repertórios africanos e tiveram a oportunidade de compartilhar com Nyaho as suas apresentações, além de aprender técnicas avançadas do instrumento.

Nyaho e os estudantes que se apresentaram na quinta feira (23). Foto: Sofia Nachef

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