A doutoranda da UNICAMP, Mayara dos Santos, realizou pesquisa inaugural sobre os primeiros médicos negros formados no Brasil
Ana Iglessias
Entre 1812 e 1900, período de escravidão no Brasil, 24 homens negros se formaram na FAMEB, além de duas mulheres, as primeiras médicas do Brasil, que se formaram entre 1909 e 1927. É disso que se trata a pesquisa de Mayara dos Santos, historiadora graduada pela UFBA e doutoranda da UNICAMP. A palestra “80 anos de medicina negra” ocorreu na manhã da quinta-feira (12/12) no salão nobre da FAMEB.
Mayara dos Santos palestrando. Foto por Ana Iglessias
Mayara dos Santos começou a sua pesquisa há 10 anos, quando conheceu Maria Odília, a primeira mulher negra a se formar em medicina no país, enquanto era estagiária na Bibliotheca Gonçalo Moniz. Ela foi a primeira a pesquisar sobre Maria Odília e, a partir dela, expandiu os seus estudos até chegar nos 24 homens que se formaram durante o período de 1808 a 1888. Dentre eles está o nome de Francisco Sabino Alves da Rocha Vieira, líder da Sabinada, revolta que buscava separar a Bahia do resto do território brasileiro.

Francisco sabino. Reprodução Museu Histórico Nacional
Também presente na palestra, estava Antônio Alberto Lopes, diretor da Faculdade de Medicina da UFBA e primeiro homem negro a ocupar esse espaço. Ele aproveita para falar sobre as mudanças da presença negra na FAMED ao longo dos anos. “Ano que vem eu faço 50 anos formado e, na minha época de estudante, me chamava atenção que eu via poucas pessoas negras na faculdade de medicina, hoje, com as políticas de cotas, tem pessoas de várias tonalidades, refletindo a população de Salvador”, declara.
Antônio Alberto Lopes, diretor da FAMEB. Foto por Ana Iglessias
Ao fim da palestra, Mayara dos Santos aproveita para mostrar outros trabalhos que fez com a mesma pesquisa, como um documentário sobre Maria Odília e as apresentações que faz com o objetivo de apresentar a crianças. Ela explica que lançar um livro infantil é o seu maior sonho. “O sonho para mim é um paradidático ou até um livro infantil de literatura ficcional, até que mexa um pouco a ficção para contar a história dessa mulher de uma maneira bacana para as crianças. Eu acho que quando a gente conseguir atingir esse público, vai ser a minha maior realização”, explica.
A estudante de medicina Keyla Sacramento entende o motivo do sonho de Mayara Santos de que seu trabalho atinja o público infantil. “Eu não conhecia nenhum nome que ela falou além de Maria Odília, mas para mim é muito importante conhecer essas histórias. Eu nunca fui uma criança que sonhou em ser médica, mas acho muito importante a gente saber para conhecer as nossas possibilidades, nos enxergar nesses espaços”, afirma.

