Restrição durou dois dias | Foto: Pedro Carvalho
Por Guilherme Brito e Sophia Figueiredo
O Restaurante Universitário (RU) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no campus de Ondina, teve metade dos seus assentos interditados por dois dias, em 28 e 29 de setembro, após a fibra vegetal de uma árvore cair dentro do estabelecimento. A interdição ocorreu depois de estudantes relatarem que, enquanto almoçavam, caia do teto sobre as mesas “uma espécie de algodão”.
A redução na quantidade de cadeiras atrapalhou o fluxo de atendimento do restaurante, que teve a fila estendida e o tempo de espera para almoçar ampliado. Teve estudante que aguardou até duas horas. Mesmo com a capacidade do ambiente reduzida, funcionários do RU afirmaram que a quantidade de comida fornecida era a mesma.
“Estava caindo uma espécie de lã das árvores, o que atrapalhava o almoço das pessoas quando caía nas mesas, mas o atendimento continuou o mesmo”, afirmou um funcionário, sem se identificar.

Após as reclamações, foi identificado por alunos que o restaurante era atingido por painas, fibra vegetal leve da árvore Paineira, que não é tóxica, mas pode causar irritações em alérgicos ou pessoas com condições como rinite ou asma, por exemplo, como explica a professora da UFBA e doutora em Botânica Maria Aparecida de Oliveira.
“A paina não é tóxica, mas, por ser uma fibra, assim como o algodão, pode causar alergia respiratória, então, para quem tem rinite ou asma, é bem grave e muito complicado”, explica.

Aparecida explica que essa é uma espécie de árvore comum em Salvador. É normal que haja liberação das fibras durante os meses de junho e julho, porém, esse ano o material foi verificado fora do período convencional.
“A Paineira é muito comum nas nossas matas. Por exemplo, na praça do Campo Grande tem várias delas. Em determinada época do ano, geralmente entre junho e julho, apesar que esse ano foi mais tarde, ela solta a semente dela, que é a paina”, afirmou a doutora.
SEGURANÇA – As painas que invadiram o RU saíram de uma árvore localizada nos fundos da unidade. A Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (PROAE) informou por e-mail que a situação foi identificada e, como medida preventiva, foi necessário ajustar o fluxo de atendimento a fim de minimizar a possibilidade de entrada do material nas áreas de circulação e garantir a segurança e qualidade do serviço prestado.
A medida exigiu, segundo a PROAE, que parte dos assentos fosse isolada na área afetada pela queda das painas.
Alunos relataram que as fibras caiam por todo espaço, inclusive nas mesas que não sofreram interdição. É o que relata Yasmin Araújo, 21 anos, do curso de Medicina Veterinária: “O RU é todo aberto, então, o ‘algodão’ entra em todo o espaço de qualquer forma. A interdição só causou tumulto e uma espera longuíssima”.
A aluna reclama que, durante o período de interdição, foi obrigada a gastar R$25 para conseguir almoçar e a demora a impediu de chegar às aulas pontualmente. Ela lamenta que o valor da refeição foi dez vezes maior do que gastaria no RU.
“Tive que gastar mais, uma vez que não consegui almoçar no RU pela demora. Meu curso tem uma grade bem pegada, sem interdição eu já chegava atrasada. Com a interdição, nem consegui almoçar”, relatou.
Para Yasmine Braz, 22 anos, estudante de Jornalismo, a interdição das mesas custou quase duas horas do seu dia. A estudante relata que funcionários deram orientações do bloqueio dos assentos: “Cheguei no RU por volta das 12h05 e só fui almoçar às 14h. Na entrada tinha uma moça dando orientações e explicando que uma parte estava interditada por conta da árvore”, afirmou
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A mudança na rotina terminou na quarta-feira (30), quando as mesas interditadas voltaram a ser utilizadas depois da poda da árvore, que ocorreu às 7h30 pela Superintendência de Meio Ambiente e Infraestrutura (SUMAI), acionada pela PROAE. Porém, mesmo com o fim da restrição, estudantes ainda relatam que as painas continuam caindo dentro do restaurante e atrapalham as refeições.
A reportagem do Notícias da UFBA esteve no RU na sexta-feira (2) e identificou que as painas ainda caiam na parte interna do estabelecimento. Na quarta-feira (30), foi enviado e-mail para PROAE para confirmar se a poda tinha sido concluída, mas, até o momento, não houve resposta. Esta notícia será atualizada se houver retorno.
Guilherme Brito
Repórter e Editor de Acadêmico e Cultura
Estudante do 2º semestre de Jornalismo da UFBA, Guilherme atua no campo da fotografia em seu perfil @/photosguido e é integrante da Liga de Jornalismo Esportivo da UFBA (LJEU)
Sophia Figueiredo
Repórter e Chefe de Reportagem do Notícias da UFBA
Estudante de Jornalismo do 2° semestre, atua na área da comunicação esportiva através da Liga de Jornalismo Esportivo da UFBA (LJEU)

