Evento na Facom discute saúde mental e acolhimento na universidade

Roda aconteceu na sala 9 da FACOM | Foto: Bebe Maximiano

Por Bebe Maximiano

 

Sentir-se deslocado na universidade nem sempre é um obstáculo pessoal. Este foi o ponto central da roda de conversa intitulada “Entre chegadas e recomeços”, que ocorreu na terça-feira (29), das 9h às 10h, na Faculdade de Comunicação da UFBA (FACOM). O evento, aberto ao público, foi organizado pelo Centro Acadêmico Vladimir Herzog e pela Liga Acadêmica de Comunicação e Humanidades Digitais (COMHUD) em virtude do Setembro Amarelo, e abordou temas como pertencimento e saúde mental na vivência universitária.

O evento, que reuniu cerca de 20 pessoas, contou com a presença da psicóloga Mariana Alves e da estudante de Psicologia Violeta Freitas como palestrantes. O objetivo era dialogar sobre as chegadas e os recomeços dos alunos e como criar ambientes acolhedores na instituição.

Mariana destacou que pertencer vai além de estar matriculado ou participar das aulas. “Pertencer envolve a experiência de sentir que há um espaço possível para si dentro daquele ambiente”, comentou. De acordo com ela, essa sensação é influenciada pelas relações e condições que a universidade proporciona, e não é apenas uma questão individual. A psicóloga lembrou que estudantes negros, indígenas, LGBTQIA+, pessoas com deficiência, trabalhadores, mães e aqueles oriundos do interior ou de baixa renda frequentemente enfrentam desafios adicionais.

A palestrante mencionou que a comparação é uma fonte recorrente de sofrimento, especialmente nos primeiros semestres: a impressão de que “todo mundo sabe o que está fazendo e eu sou a única pessoa perdida”. Para a psicóloga, essa vivência é comum, mas pouco discutida, por isso, é fundamental torná-la coletiva.

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RELAÇÕES – A estudante de Psicologia Violeta Freitas compartilhou que nunca se sentiu completamente inserida no curso, mas encontrou apoio nas relações que estabeleceu: amizades, professores receptivos e colegas de outras áreas, que a ajudam a sair da “bolha da psicologia”. Saber que outras pessoas enfrentam dificuldades semelhantes, afirmou, é um fator de fortalecimento.

Ao relatar momentos em que considerou desistir do curso, a estudante  mencionou questões como violência, preconceito e a falta de recursos financeiros, e não a falta de vontade de aprender. “Se a gente tem dinheiro suficiente para se manter aqui, se a gente tem pessoas ao nosso redor que nos respeitam, nos enxergam, estudar é a parte mais fácil”, declarou. Para ela, a desumanização é o principal fator que pode levar à saída da universidade.

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A rotina também se torna um peso para aqueles que conciliam estudo e trabalho. Bianca Santos, uma estudante de 24 anos, no segundo semestre de produção em comunicação e cultura, relatou que o maior desafio atualmente é encontrar equilíbrio entre a faculdade e o estágio, considerando o percurso, as dificuldades do transporte público e as poucas horas disponíveis para estudar. Nos momentos difíceis, ela busca apoio na espiritualidade, por meio de orações e na esperança de que seu esforço seja recompensado.

CONEXÃO – A psicóloga Mariana Alves destacou indícios de que a dor emocional pode estar se tornando duradoura: modificações significativas no padrão de sono e apetite, níveis elevados de ansiedade, uma sensação persistente de incapacidade, solidão, episódios de choro, dificuldade em executar tarefas cotidianas e pensamentos frequentes sobre desistir. Ela enfatizou que buscar auxílio não é um sinal de fracasso, mas sim uma oportunidade de fortalecer a rede de apoio.

Evento foi aberto a toda comunidade estudantil | Foto: Bebe Maximiano

Ao concluir, Mariana sintetizou o objetivo do encontro: “Pertencer não é uma tarefa individual, mas também se constrói coletivamente, nas relações, nas políticas de permanência e nos espaços que reconhecem a diversidade das experiências estudantis.”

SERVIÇO – Estudantes da UFBA têm a possibilidade de buscar suporte psicológico, presencialmente, na sede da  PROAE, pelo telefone 3283-5700 ou por e-mail proae@ufba.br

Para assistência emocional a qualquer momento, o Centro de Valorização da Vida (CVV) está disponível pelo telefone 188, serviço gratuito que funciona 24 horas, além de oferecer atendimento via chat e e-mail no site (clique aqui e acesse)

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