Estudantes precisam conciliar tempo de estudos e trabalho com espera na fila dos RUs. | Foto: Rafael Nascimento.
Por Rafael Nascimento
Para estudantes que dependem dos restaurantes universitários (RUs) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o tempo para refeições tem se transformado em um longo período de espera. Relatos apontam filas de até uma hora e meia nos horários de pico, o que reduz o intervalo livre e leva usuários a modificarem a rotina para conciliar alimentação, aulas, monitorias e trabalho.
O problema é percebido principalmente no início dos semestres, quando a procura pelo serviço aumenta. A UFBA conta com três unidades: o Restaurante Universitário de Ondina e os Pontos de Distribuição do Canela (PDCA) e de São Lázaro (PDSL), mantidos pela universidade.
Fila antes da abertura
Na unidade de Ondina, às 10h40 é possível encontrar estudantes que aguardam do lado de fora. Antes da instalação dos toldos, os alunos aguardavam expostos ao sol e à chuva. Embora a nova estrutura traga maior proteção ao espaço de espera, a longa permanência na fila exige que todos aguardem de pé, fazendo da pré-abertura um momento de desgaste físico.

Filas do RU de Ondina chega a ultrapassar os limites dos toldos em horários de pico. | Foto: Cristhian Lavigne.
Essa rotina marca o cotidiano do estudante Maurício Santos, 31 anos, estudante do quarto semestre do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades. Duas vezes por semana, nos dias em que a grade curricular permite, ele antecipa a chegada ao local na tentativa de evitar o horário de pico. A estratégia é calculada: com compromissos acadêmicos em outro campus logo na sequência, garantir uma refeição rápida é a única alternativa para evitar atrasos nas aulas do turno seguinte.
“O tempo perdido na fila é grande, mas preciso almoçar, então já venho. Queria poder aproveitar esse momento para realizar outra atividade, como estudar na biblioteca ou adiantar alguma leitura”, relata o estudante.
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Se durante o dia o movimento é intenso, o cenário no turno da noite mantém a dinâmica de espera nos pontos de distribuição — a exemplo da unidade do Canela. O transtorno da fila não se limita ao horário do almoço e volta a se repetir no fim da tarde, antes da abertura do jantar, que ocorre às 17h.
É o caso de Bárbara Letícia, 23 anos, estudante do último semestre do Bacharelado Interdisciplinar em Artes, para quem a espera representa uma escolha direta entre se alimentar e cumprir compromissos acadêmicos. Em razão da rotina de estágio, a aluna depende do restaurante no início da noite para conciliar o trabalho com o horário das aulas.
“Me sinto meio encurralada em relação aos RUs. Quando saio do estágio e vou para universidade, tenho que escolher entre comer e me atrasar para a aula ou gastar uma grana em algum salgado”, relata Letícia.
Diferente do campus de Ondina, que abriga o restaurante universitário central com cozinha própria e salão amplo, a unidade do Canela funciona apenas como ponto de distribuição. O espaço físico reduzido foi projetado para o recebimento de marmitas, o que limita a capacidade de assentos e gera gargalos nos horários de maior fluxo.
Segundo a estudante, o problema é mais intenso na unidade do Canela, que considera pequena para a demanda.
“Muitas vezes abdico do começo das aulas para conseguir comer antes”, desabafa.
Tempo de espera altera rotina
A experiência do aluno de Ciência e Tecnologia Paulo Henrique, 35 anos, também mostra como a espera interfere na organização do dia. Usuário dos RUs de Ondina e São Lázaro, ele aguarda cerca de 40 minutos para almoçar. Às sextas-feiras, opta por levar a própria refeição para não se atrasar para a monitoria, às 13h30.
“O medo é de ficar sem almoçar, a comida acabar ou não ter mais tempo, devido à demora da espera”, lamenta Paulo.
Embora reconheça que as filas sempre fizeram parte do cotidiano no uso dos restaurantes, o estudante percebe uma piora neste semestre, e, para ele, o atendimento não acompanha o fluxo de usuários.

Fichas distribuídas em São Lázaro são insuficientes para estudantes nas filas. | Foto: Bárbara Letícia.
A possibilidade de não conseguir almoçar também é um medo percebido no relato de Wesley Araújo, 33 anos, formando em Letras, que diz ter presenciado situações nas quais as fichas acabaram.
“Presenciei algumas pessoas ficarem sem almoçar por conta da ficha acabar. Ficaram muito tempo esperando, diria que uma hora ou uma hora e meia, e nem tinham certeza se iriam conseguir almoçar”, relata.
Para Wesley, a ampliação da estrutura e a construção de mais refeitórios ajudariam a distribuir a demanda.
Do fechamento à expansão
A estrutura de alimentação estudantil da UFBA foi ampliada ao longo dos anos para atender diferentes áreas da universidade. Em 2010, o Restaurante Universitário Professor Manoel José de Carvalho, em Ondina, foi inaugurado sob gestão da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (PROAE), retomando o serviço no campus após o período em que a unidade permaneceu fechada por quase duas décadas.
A expansão continuou com a criação dos pontos de distribuição de São Lázaro, inaugurado no final de 2016, e do Canela, em meados de 2023.
As três unidades oferecem refeições a R$2,50, com isenção para estudantes contemplados pela assistência estudantil, conforme informações publicadas nos site oficiais da PROAE e do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos.
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Posicionamento PROAE e DCE
O serviço é gerido pela PROAE, responsável pelas políticas de permanência universitária. O Notícias da UFBA procurou essa instância para pedir esclarecimentos sobre os diagnósticos operacionais das filas, esclarecer os motivos que causam os gargalos e compreender as ações adotadas para otimizar o fluxo e reduzir a espera dos estudantes.
Também foi procurado o Diretório Central dos Estudantes (DCE) — entidade que representa os alunos e intermedeia o diálogo com a gestão para comentar as condições de funcionamento dos RUs.
Até o fechamento desta notícia, a PROAE e o DCE não haviam respondido aos questionamentos.
Serviço
Restaurantes Universitários da UFBA
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- Unidades: RU Ondina; PDCA (Canela); PDSL (São Lázaro).
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- Horários de funcionamento:
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- Almoço (em qualquer unidade): das 11h às 14h.
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- Jantar: Ondina (17h às 19h); PDCA e PDSL (17h às 18h40).
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- Horários de funcionamento:
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- Contatos: NRU nru@ufba.br | PROAE (71) 3283-5714
Rafael Nascimento
Repórter Notícias da UFBA
Estudante de Jornalismo na UFBA e egresso da universidade. Atua como redator e é interessado em esporte, cultura, literatura e política. Dedica-se à escrita e à produção jornalística.

