Acessibilidade ao autocuidado mediante a superlotação do sistema de saúde da UFBA
Por: Iago Vieira
Em cenário de alta procura e limitações estruturais ao atendimento à saúde psicossocial da UFBA, ocorreu nesta quinta-feira (12) no Bloco A do IHAC a atividade “Quinta do cuidado”, organizada pelo IHAC Presente para a participação coletiva do cuidado à saúde mental dos discentes da universidade. O encontro abordou roda de Terapia Complementar Integrativa (TCI) e Yoga do Riso, prática que combina exercício do riso com respiração, mediados por Neemias de Rosa, psicólogo da instituição e Rafaela Lobo (enfermeira do SMURB/UFBA).
A iniciativa coletiva surge com o crescente quadro de doenças psicossociais que vêm afetando os universitários. Em 2024, relatório realizado com 7.177 estudantes da UFBA, obteve que 71,5% apresentaram alta prevalência de sintomas de Transtorno Mental Comum (TMC). Desses, 49,1% moderados de depressão, 54,5% de ansiedade e 54,8% de estresse. Os principais grupos afetados são mulheres, pessoas não brancas e estudantes que se sentem isolados devido à falta de acolhimento na universidade.
Atualmente, o Serviço Médico Universitário Rubens Brasil Soares (SMURB) oferece atendimento aos estudantes. Com cerca de 130 funcionários ativos, aproximadamente 25 estão próximos da aposentadoria, e as vagas não serão repostas devido a políticas institucionais de contenção e reorganização de recursos humanos. Neemias de Rosa destaca que o SMURB não é suficiente para atender aos 64 mil estudantes da UFBA, além de técnicos, docentes, terceirizados e aposentados dependentes da universidade.
“Temos um serviço que cada vez mais diminui, uma universidade que cada vez mais cresce. Referenciamos o serviço para os estudantes como se lá fosse ter o corpo de pessoas para fazer esse atendimento, não temos!” Relata Neemias. Em 2024, o SMURB realizou 31.037 atendimentos, com 33.956 cadastros ativos ao final do mesmo ano. A alta demanda, especialmente por psicoterapia individual, é reconhecida pela própria instituição, que informa que a participação no Atendimento Biopsicossocial não garante vaga para psicoterapia devido à grande procura.
Diante desse cenário, o atendimento coletivo fora dos consultórios surge como uma alternativa para ampliar o acolhimento. Rafaela Lobo observa que, quando os serviços individuais estão superlotados, as atividades coletivas oferecem mais vagas e oportunidades de cuidado. Neemias de Rosa enfatiza a importância de construir uma rede de cuidados estruturada para potencializar iniciativas como a “Quinta do Cuidado”.
Ana Sampaio, integrante da equipe organizadora, observa que o projeto tem recebido feedback por parte dos estudantes que participam das atividades, através do formulário de avaliação: “Temos tido um retorno muito positivo, do quanto a atividade foi importante. Então, com esses resultados acreditamos que devemos continuar, e à medida que vamos avaliando, vamos tentando melhorar e alcançar cada vez mais público para as atividades”.
Elba Santana, participante presente, relata que não conhecia o projeto, teve sua estreia na edição enamorar-se e avaliou a iniciativa para o âmbito universitário: “É importante porque estamos imersos em um processo de acolhimento e escuta, trocamos experiência como se fosse um colo, algo importante para nós estudantes.” e continua “Essa é minha primeira experiência e pretendo vir nos próximos encontros”.
A “Quinta do Cuidado” é organizada por Ana Sampaio (produtora cultural), Luciane Rodrigues (técnica em assuntos educacionais), Beatriz Jandiroba (bolsista do projeto) e Jaguaraci Aragão (estagiária). As atividades acontecem mensalmente, sempre em uma quinta-feira a ser definida pela equipe organizadora. A inscrição para participação é realizada por meio do preenchimento de um formulário divulgado no site do IHAC ou no perfil oficial da universidade.

