“Trago seu amor de volta” estreia nova temporada após meses de ensaios em corredores
Por: Júlia Mota
Na sexta (07), a peça Trago seu amor de volta, realizada por estudantes da UFBA, estreou sua segunda temporada no SESI Rio Vermelho. A peça foi viabilizada de forma independente, sem recursos institucionais ou salas de ensaio adequadas. O espetáculo tem como base memórias afetivas da estudante de teatro Thais Liberdade, do interior da Bahia, heranças de sua religiosidade afro-brasileira e a vivência do amor como força de cura.
“Eu trabalho freela e recebo 200 reais pra trabalhar no final de semana. Foi com esse dinheiro que eu montei uma peça com quatro sessões, não foi fácil. A universidade não nos dava sequer sala de ensaio afirmando não haver disponibilidade. Ensaiamos nos corredores da ufba. A universidade não dá nenhum apoio aos artistas de teatro que estão formando, nem mesmo pauta no teatro da própria escola eu consegui. A insatisfação com a Escola de Teatro é coletiva”, denunciou a escritora e atriz da peça, Thais Liberdade.
Desde 2012, a ampliação do prédio da Escola de Teatro da UFBA segue inacabada, impactando diretamente o cotidiano dos estudantes. As obras enfrentaram sucessivos atrasos por questões contratuais, cortes de verbas nas universidades públicas e a pandemia de COVID-19. Em 2024, a situação se agravou: a escola não recebeu recursos para retomar a construção, tampouco possui projetos executivos que viabilizem sua continuidade.
Em meio a esse contexto de escassez, o espetáculo teve sua segunda temporada estreada no teatro SESI Rio Vermelho. Mais de 80 pessoas estiveram presentes na estreia. Para a segunda temporada, os estudantes realizaram ações independentes de divulgação, com cartazes espalhados pela universidade, aulas de forró e casamento simbólico coletivo, realizados no campus de Ondina.
Nos bastidores da montagem, estudantes assumiram funções de produção, figurino, iluminação e arte gráfica. “O teatro tem muitas funções que vão além das pessoas que estão em cena. É importante que se reafirme a importância da gente ter uma melhor estrutura do governo e das empresas para que a gente possa fazer essa arte acontecer. Dizem que o teatro é algo que está para morrer. Morrer não vai, mas que a gente que faz tá morrendo e tendo que fazer outra coisa, a gente está mesmo”, expôs co-diretor da peça, Pedro Rezende Caldas.
A peça conta a história de Terê, uma benzedeira do interior da Bahia que após cartazes misteriosos com os dizeres “trago seu amor de volta” e o endereço de Terê serem espalhados pela cidade de Maracá, recebe diversas figuras que buscam sua ajuda no amor. “Sempre tive a intenção de criar artisticamente produções que conectassem o público de fato, que fosse próximo das vivências de cada um. Amor, que é o principal tema da peça, é totalmente democrático, então, pedia-se que fosse falado de forma próxima e conectada com o público da cidade de Salvador e acho que conseguimos isso”, celebra a diretora Thais Liberdade.

