Projeto que aproxima crianças da universidade é retomado após um ano de atividades paradas

Momento da leitura ofereceu às crianças acesso a livros infantis | Foto: Por Alanis Souza

Por Alanis Souza

 

Com 11 anos de criação, o projeto “Crianças na UFBA” retoma suas atividades após cerca de um ano parado. Idealizado para aproximar crianças e famílias do ambiente universitário por meio de experiências recreativas, a iniciativa promove a integração entre a comunidade externa e os espaços acadêmicos da instituição, com o resgate de brincadeiras tradicionais. O retorno foi anunciado em 11 de maio nas redes sociais e marca a retomada dos encontros voltados à infância. 

Segundo nota divulgada no Instagram e relatos das professoras responsáveis, Adriana Ferriz e Juliana Prates, o “Crianças na UFBA” foi suspenso em janeiro de 2025. A Superintendência de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sumai) apontou que a área externa da Biblioteca Reitor Macedo Costa e a Praça das Artes, espaços utilizados pelo projeto desde a criação, não ofereciam condições de segurança adequadas para as crianças, em razão do desgaste na proteção das calhas que contornam o prédio. 

Foi sugerido à época um espaço alternativo para realização das atividades (PAF01), mas o local não atendia às especificidades da ideia e, por isso, optaram pela suspensão das atividades. O retorno está organizado em duas datas: a primeira em 16 de maio e a segunda prevista para 13 de junho, ambas das 14h às 17h. 

Na primeira edição de volta, cerca de 50 crianças compareceram acompanhadas de suas famílias e puderam participar de momentos da leitura de livros infantis, espaço de fantasias, futebol, lanche coletivo e brincadeiras tradicionais como pular corda, pular elástico, amarelinha e pião. O projeto tem como público-alvo crianças da primeira à terceira infância, etapa que abrange desde o nascimento até os 12 anos, mas é aberto a todos os públicos. O programa chegou a receber mais de 300 crianças em uma edição, durante o Congresso da UFBA, e conta, em média, com 100 participantes por encontro.

Crianças na UFBA retoma suas atividades com o apoio de voluntários e da comunidade universitária | Foto: Alanis Souza

 

Patrick da Silva, 47 anos, decidiu levar o filho Valentim, de oito anos, ao projeto assim que soube da iniciativa por meio de uma colega de trabalho, Adriana Ferriz, que também é uma das coordenadoras. 

Para ele, trazer as crianças para dentro da universidade representa o cumprimento de uma função social importante: a abertura de um espaço público às famílias, tanto de trabalhadores quanto do público externo. Patrick destaca que o ambiente oferece ludicidade, socialização e contato com a natureza, e revela que sentiu falta durante o período em que as atividades foram interrompidas.

Quem também esteve presente, mas com outro papel, foi o estudante Danilo Silva, 21 anos. Matriculado no curso de artes com concentração em psicologia, participou pela primeira vez do projeto como voluntário, após ser estimulado pelas professoras Adriana e Juliana. No evento, ficou responsável pelo momento de leitura e por algumas brincadeiras com as crianças. 

Danilo avalia a experiência como enriquecedora na sua vida pessoal e acadêmica, por considerar que a prática permite conciliar o que é estudado em sala com o cotidiano. Para ele, a iniciativa cumpre um papel fundamental ao oferecer às crianças um ambiente de desenvolvimento cognitivo e de socialização no mundo físico, longe do consumo e do uso excessivo de tecnologia.

Retomada do encontro reuniu cerca de 50 crianças e seus familiares | Foto: Alanis Souza

 

Surgimento

O “Crianças na UFBA” iniciou as atividades em 2015, durante um período de greve na universidade. Integrantes da creche da UFBA, em parceria com profissionais da Faculdade de Educação (Faced), organizaram uma ocupação recreativa com brinquedos trazidos da própria creche. A iniciativa se consolidou como projeto de extensão e passou a acontecer ao menos uma vez por mês, regularidade mantida até a interrupção das atividades. 

Para a professora Juliana Prates, o momento sempre se organizou “sozinho” por ser uma ideia simples que exigia apenas um espaço arborizado, seguro, sem comércio ou consumo  e aberto para as crianças brincarem livremente, sem que houvesse pedagogização das brincadeiras. “A ideia é que as crianças possam vir com suas famílias para brincar nesse espaço. Estamos voltando após um ano, em todo primeiro ou segundo sábado de cada mês”. 

A experiência também propõe o resgate da relação das famílias com os espaços abertos. “É um momento de resgatar a relação da família no espaço aberto, diferente de quando vão para o shopping, por exemplo, que a criança fica em um lugar brincando e os pais vão fazer outras coisas”, completa a professora Adriana.

Espaço para fantasias integrou a programação | Foto: Alanis Souza

 

Planos futuros

As coordenadoras planejam inserir o “Crianças na UFBA” no currículo dos projetos de extensão. É levada em consideração a obrigatoriedade de destinar, no mínimo, 10% da carga horária total dos cursos às atividades de extensão universitária, movimento que está em andamento em disciplinas do Instituto de Psicologia e de Serviço Social.

Adriana e Juliana contam com o desejo da retomada das parcerias de outros cursos, os que participaram e os que estarão disponíveis para integrar pela primeira vez. 

Ao longo de sua trajetória, o “Crianças na UFBA” contou com a participação de outras ações da universidade e funcionou como espaço de prática para disciplinas voltadas à infância. Entre os que integraram os encontros estão o Projeto Dom Quixote: Biblioteca Andante e a Residência Multidisciplinar do Instituto de Saúde Coletiva (ISC). As Faculdades de Medicina, Matemática, Química, Nutrição e Teatro também expuseram seus trabalhos, enquanto o Instituto de Biologia levou as crianças ao Meliponário para conhecerem as abelhas sem ferrão.

Adriana Ferriz destaca ainda o desejo de resgatar as edições temáticas, como a edição dedicada aos festejos juninos, e sonha com algo mais ousado para o futuro: uma edição noturna em formato de acampamento. “Seria um sonho”, afirma.

Juliana Prates acredita que os encontros ajudam a criança a construir um caminho para a universidade e a enxergar aquele espaço como seu. “A gente espera que a universidade pública seja de todos mesmo. Conhecer a universidade brincando nela é construir memórias afetivas”. 

 Acompanhe o projeto no Instagram @criancasnaufba

 

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