Cerca de 300 pratos de caruru são distribuídos em evento no Instituto de Letras

Tradição do “Caruru Anual” é retomada no Instituto de Letras | Foto: Stefane Luz

 

Por Mirela Portugal

Estudantes, docentes e servidores do campus de Ondina se reuniram, na tarde da  sexta-feira (25), para participar da distribuição gratuita de aproximadamente 300 pratos de caruru. A ação, realizada no pátio do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (ILUFBA), faz parte da tradição que surgiu na década de 1980, com a ocupação do prédio que hoje abriga o instituto.

A distribuição dos pratos teve início às 17h, porém, a fila começou a ser formada por volta das 16h20. A organização funcionou em duas fileiras: uma de prioridade, que também incluia docentes do instituto, e outra voltada a alunos e servidores de diversos cursos. 

Financiamento Coletivo

Os insumos para preparação dos pratos foram custeados por meio de doações. Cards de divulgação foram compartilhados com a comunidade acadêmica para arrecadar dinheiro. O cardápio contou com itens tradicionais da culinária típica baiana, como caruru, vatapá, xinxim de frango, farofa de dendê, acarajé e abará.

Segundo a técnica em administração do ILUFBA Veros Santos, que estava na linha de frente da comissão organizadora, foram usados 1.500 quiabos, aproximadamente dez quilos de camarão seco, seis quilos de de feijão fradinho, três quilos de amendoim, uma saca de cebola e 40 quilos de frango. 

Veros disse ter ficado surpresa com a recepção da comunidade nesta edição e observa a procura aumentar a cada ano.

“Me surpreendeu. Inclusive, esse ano os professores aderiram mais. Normalmente a maioria está em aula no horário que acontece, e acabam não participando por isso”, afirma.

A celebração também contou com a presença do reitor da UFBA, João Carlos Salles, que acompanhou a atividade no pátio ao lado de docentes e servidores do instituto.

João Salles esteve acompanhado de membros da gestão e corpo docente no evento | Foto: Stefane Luz

 

O caruru atraiu um público diverso pela divulgação entre os próprios estudantes, como foi o caso da aluna do Bacharelado de Artes Ariele Pétala, 19 anos, que participou do evento pela primeira vez depois de ser incentivada por colegas. 

“Soube quando passei aqui [no PAF 3]  mais cedo e falaram: “Vai ter caruru, aproveite!”, assinala. 

A velocidade do serviço também foi comentada pelo público que enfrenta diariamente a rotina do Restaurante Universitário (RU). A servidora pública Geisa Rodrigues, 43 anos,  afirmou que a fila andava com pouca lentidão.

“Tem certa demora na fila, mas, no geral, ela flui bem. Não é nada exorbitante como a fila do RU”, comentou.

Fila de espera pelo caruru ultrapassou os limites do Instituto de Letras | Foto: Stefane Luz

 

Mais de 200 pratos

Antes da distribuição da refeição, a programação no prédio contou com uma palestra no auditório do pavilhão 3, onde professoras aposentadas do ILUFBA contaram sobre a história do instituto e destacaram linhas de pesquisa que trabalham com o acervo e a memória da UFBA. 

A entrega dos pratos foi encerrada às 18h25, ao término da maioria dos acompanhamentos. As pessoas que ainda estavam na fila puderam comer apenas o caruru. O estudante de Letras Ícaro Luis Paixão, 20 anos, chegou no final da distribuição e, apesar de se sentir chateado, entendeu que o evento é fruto de atitude coletiva da comunidade. Ele espera que, no próximo ano, haja condições de ampliar o volume de comida.

“Acho que a quantidade não deu para todo mundo, mas entendo que é um evento de financiamento coletivo. Se mais pessoas contribuíssem, a quantidade seria maior”, acredita.

Inicialmente, foram distribuídas 200 fichas para o consumo da refeição. No entanto, de acordo com a disponibilidade da comida, cerca de 300 pratos foram servidos até que todos os acompanhamentos acabassem.

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