“Aqui jaz a Universidade Federal da Bahia” | Foto: Malu Haydee
por: Malu Haydee
Estudantes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) realizaram, na quinta-feira (30/04), uma manifestação em defesa de melhorias na graduação. Organizado pelo movimento Ocupa EBA, a ação reuniu discentes em um protesto que cobrou reformas estruturais, segurança e diálogo com a administração.
A concentração teve início às 12h30, na praça Dois de Julho, conhecida como Largo do Campo Grande, de onde os estudantes seguiram em caminhada até a Reitoria, no bairro do Canela. Com o tema de “marcha fúnebre”, o ato incorporou elementos simbólicos para representar a “morte” da universidade. Em passos lentos, carregaram um caixão confeccionado artisticamente com a inscrição: “Aqui jaz a Universidade Federal da Bahia”. Os manifestantes avançaram pelas vias e interromperam o trânsito enquanto gritavam frases de protesto e seguravam cartazes com relatos de problemas na universidade.
A mobilização gerou reações de pessoas que acompanhavam o ato, com manifestações de apoio e também de discordância. Ainda assim, mesmo diante de tentativas de interrupção, os discentes mantiveram a marcha. O protesto teve início com cerca de 40 pessoas, mas outros estudantes se juntaram durante a caminhada.
O estopim para o movimento foram os impasses após a implementação do Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA). Estudantes relatam que problemas no sistema têm impedido a matrícula em disciplinas, afetando diretamente a continuidade dos estudos. A situação é ainda mais preocupante para estudantes bolsistas, que precisam cumprir carga mínima de disciplinas na grade para manterem as bolsas ofertadas pela Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (PROAE). A ausência de respostas efetivas por parte da universidade e a recorrente justificativa de semestre atípico intensificaram a insatisfação.
“As pessoas simplesmente não conseguem estudar, não conseguem pegar as matérias. Não temos respostas para o que está acontecendo”, relata Anatriz Souza, veterana de Artes Visuais da EBA e uma das líderes do protesto.
INSALUBRE – As condições de infraestrutura da Escola de Belas Artes também foram pautas da manifestação. Clara Valverde, caloura de Artes Visuais, relata que o Pavilhão de Aulas Professor Germano Tabacof apresenta problemas como infiltrações, mofo e acúmulo de materiais, compondo um ambiente considerado insalubre e potencialmente prejudicial à saúde da comunidade acadêmica. Soma-se a isso a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) em oficinas e laboratórios, considerados essenciais para a realização segura das atividades práticas.
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“O nosso pavilhão está há 13 anos interditado com risco de desabamento e não temos nenhuma aula lá. É um espaço inutilizado”, lamenta Clara Valverde.
A reportagem do Notícias da UFBA esteve no local para apurar as denúncias relacionadas ao pavilhão de aulas Germano Tabacof. No entanto, o acesso estava restrito por conta da falta de segurança e riscos relacionados à saúde. Imagens registradas por estudantes mostram a degradação do local.
Maria Gentil, estudante do terceiro semestre de Artes Visuais, explica que a entrada no interior do prédio permanece restrita a alguns alunos que acessam para alimentar gatos que vivem no local. Conhecida entre discentes como “casa dos gatos”, professores e estudantes da Escola de Belas Artes apontam a situação dos animais como mais uma preocupação por conta das condições insalubres do local.
PRESSÃO – Os manifestantes chegaram à Reitoria durante a reunião do Conselho Universitário da UFBA (Consuni) e se concentraram em frente ao prédio, onde intensificaram o protesto e pressionaram por acesso ao espaço de decisão. Após uma hora de insistência e mobilização na entrada, conseguiram ingressar no local e acompanhar a reunião, levando diretamente suas reivindicações à gestão universitária.
O diretor da EBA, Paulo Roberto Ferreira, afirmou que a gestão passou a acompanhar as mobilizações estudantis e que, diante das demandas apresentadas, foi realizada, anteriormente, uma reunião aberta com o objetivo de ouvir os discentes e esclarecer aspectos do funcionamento administrativo da universidade. Segundo ele, as reivindicações são legítimas.
Em resposta, durante a reunião, o atual reitor da Universidade Federal da Bahia, Paulo Miguez, agradeceu a presença ativa do movimento estudantil. Ele reconheceu as dificuldades apresentadas, especialmente na implementação do SIGAA e nas questões de infraestrutura.
O reitor disse que algumas demandas dos estudantes poderão ser encaminhadas pela administração central e pela direção da Escola de Belas Artes — como os problemas nas matrículas — enquanto outras dependem de instâncias superiores e de recursos atualmente indisponíveis devido às limitações orçamentárias e pelas dificuldades enfrentadas pelo Ministério da Educação.
Apesar da ausência de perspectivas de melhora a curto prazo, a gestão pretende dar continuidade ao diálogo com os estudantes e encaminhar reuniões com diferentes setores institucionais para discutir possíveis soluções e esclarecimentos sobre as reivindicações apresentadas.
Malu Haydee
Jornalismo Integrado I – GCOM0035
Graduanda do 2° semestre de Jornalismo na Universidade Federal da Bahia.

