Ocupação dos alunos em frente à Prograd | Foto: Elisa Martins
por: Elisa Martins
Estudantes e representantes de entidades estudantis da Universidade Federal da Bahia (UFBA) se reuniram, no dia 17 de março, para pressionar a universidade a reconhecer o semestre de 2026.1 como atípico (sem punições e reprovações por faltas nas aulas). O protesto acontece em um contexto de tensão entre discentes e a Superintendência de Administração Acadêmica (Supac), por conta de problemas na matrícula que persistem desde o ano passado.
A manifestação teve início às 10h35 e durou cerca de 50 minutos, com trajeto da Reitoria da UFBA até a Pró-Reitoria de Graduação da Ufba (Prograd), no Canela. Trinta e três pessoas participaram motivadas por uma convocação feita pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) cinco dias após lançar um abaixo-assinado com 3.600 assinaturas favoráveis ao pedido de tornar o semestre atípico.
Participaram do ato integrantes de diferentes grupos, como o Diretório Acadêmico de Letras Florentina Souza (Dalfs), o Centro Acadêmico Ruy Barbosa (Carbufba), o Movimento Correnteza, a Organização Estudantil Conjuração Baiana (OECB) e a União da Juventude Rebelião (UJR).
Os manifestantes contam que os problemas tiveram início em agosto de 2025, quando foi implementando o Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (Sigaa), plataforma online que processa as matrículas. Antes do Sigaa, os alunos contam que era possível entrar em contato com o colegiado do curso para resolver pendências. Desde que o sistema foi implantado, a comunicação foi prejudicada e os colegiados perderam autonomia para resolver demandas diretamente com os alunos.
“Estou aflita por perder aulas. Estar sem a matrícula é complicado, pois não sei se vou realmente conseguir ou não as matérias”, lamentou a estudantes de Artes Visuais Samantha Santos, 20 anos.
Quem também enfrenta problemas são os alunos do Bacharelado Interdisciplinar (BI), que estão com dificuldades para migrar para outros cursos da universidade. Dois editais foram lançados em janeiro: um para quem se formou em 2025.2, outro para os formandos de 2025.1. Este último estava previsto para acontecer no meio do ano passado, porém, com a implementação do Sigaa, foi adiado pela universidade.
De acordo com a estudante Eve Costa, que está em processo de migração do BI para o curso de Arquitetura e Urbanismo, o processo de migração está lento e os aprovados nos editais só passaram a ter acesso aos horários das disciplinas depois de o semestre ter começado. “Perdi duas semanas de aula”, comentou Eve, após lembrar que esse cenário afeta a manutenção de bolsas de estudos.
NOVATOS – No caso dos calouros, a grade de disciplinas é ofertada com carga horária preenchida com as disciplinas obrigatórias do semestre. Por conta dos problemas no sistemas, alguns receberam as grades de aulas atrasadas, como foi o caso de Sabrina Piol Rocha, caloura de Zootecnia, que se sentiu deslocada e com medo na primeira semana. “A ausência de uma confirmação oficial da matrícula nas disciplinas gerou insegurança. Mas os veteranos nos orientaram e tivemos ajuda dos professores e da coordenação do curso”, disse.
Para solucionar o problema, a Supac implantou datas para o processo de rematrícula e reajuste de turmas. Para o DCE, a decisão não leva em consideração o regimento da universidade, que reprova o aluno caso haja 25% de falta dele na matéria. Essas novas datas, distantes do início do semestre, deixam os alunos de fora da sala de aula por um tempo próximo a esse limite. Ou seja, eles estariam correndo o risco de serem reprovados.
As consequências também se estendem para além da universidade, como o receio de perder a meia-passagem estudantil e o acesso ao transporte universitário metropolitano, benefícios que exigem o comprovante de matrícula da universidade.
Durante o protesto, a pró-reitora de graduação, Nancy Rita Ferreira Vieira, dialogou com os alunos presentes e assegurou que a sugestão de tornar o semestre atípico foi levada ao gabinete da reitoria.
O que se espera agora é a decisão do Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe), órgão máximo responsável pelas deliberações sobre as atividades acadêmicas. Nancy também afirma que as questões dos graduados no BI e a manutenção das suas bolsas do Proae estão sendo tratadas com urgência pela Supac.
Elisa Martins
Jornalismo Integrado I – GCOM0035
Chefe de reportagem das editorias Política, Social e Esporte. Trabalha atualmente no roteiro e nas redes socias do Podcast Vozes, além de participar de voluntariados na área da comunicação, como o World Creativity Day.

