Votação ocorreu em dois dias nas áreas comuns do instituto | Foto: Julia Borges
Por Julia Borges
A chapa formada pela atual diretora, Alvanita Almeida, e pela vice-diretora, Lilian Teixeira, venceu a primeira eleição direta para a gestão do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (ILUFBA) com 96% de aprovação nas urnas. A votação ocorreu nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, no Campus de Ondina. Foram registrados 263 votos válidos, três brancos e nove nulos. O pleito envolveu professores, técnicos-administrativos e estudantes, que definiram os rumos da unidade para os próximos quatro anos.
Essa foi a primeira eleição para direção do ILUFBA amparada na lei 15.367, de 30 de março de 2026. A norma alterou o modelo tradicional de consulta à comunidade acadêmica ao substituir o antigo sistema de listas tríplices, vigente desde a lei 9.192, de 1995, para o formato de voto direto em chapas que disputam a direção das unidades universitárias.
Foram registrados 95 votos dos professores, 17 dos técnicos e 163 dos estudantes. O presidente da comissão eleitoral, Carlos Patrocínio, de 57 anos, que atua na universidade há 31 anos como técnico – administrativo de educação, ressaltou a importância do voto direto:
“Vejo esta eleição como oportunidade para abrir um novo ciclo de discussão no Instituto de Letras. O processo eleitoral pode contribuir para estabelecer prioridades e tornar mais visíveis as demandas da comunidade”, pontuou.
Acessibilidade
A eleição contou com acessibilidade para pessoas cegas com cédulas oficiais de votação em braille e assistência disponível para demais deficiências pelo Núcleo de Apoio à Inclusão do Aluno com Necessidades Educacionais Especiais (NAPE).
Há previsão de elaboração de uma organização de acessibilidade, com ações relacionadas a rampas, elevadores, sanitários, salas apropriadas, diálogo com o NAPE, tradutores de Libras, audiodescrição e discussão sobre neurodivergência.
“A função de gerir uma unidade de ensino é atravessada pelo compromisso com uma atuação que tenha como princípio o respeito ao coletivo e, respeito às diferenças, que considere a relevância do trabalho de cada pessoa que integra a comunidade do Iinstituto”, disse Alvanita após a vitória.
Ela tem 59 anos e atua há 17 anos como docente na UFBA, mesmo local onde iniciou sua trajetória acadêmica. Com experiência na área de Letras e ênfase em literatura brasileira, suas pesquisas abrangem temas como mulher e literatura, cultura, linguagens e educação.
A vice-diretora eleita, Lilian Teixeira, tem 45 anos e atua há 12 anos na UFBA. Ela possui experiência na área de Linguística, com foco em teoria e análise linguística, pesquisando principalmente diacronia, sintaxe e interfaces. Lilian ressaltou a importância da valorização da pluralidade e destacou que a nova gestão buscará decisões coletivas por meio de assembleias: “Estou animada com a possibilidade de uma gestão mais coletiva e aberta para a diversidade”.
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Alunos
Apesar das professoras já atuarem no instituto como diretoras desde 2022, alguns estudantes reclamaram de não haver amplitude na escolha política. Mariana Goes, 26 anos, cursa Letras Vernáculas – Língua Portuguesa e acredita que o processo deveria ter sido mais divulgado entre os estudantes, e que, embora acredite que as candidatas sejam qualificadas, as eleições poderiam ser mais múltiplas.
“Podem existir outros profissionais para ocupar essa posição também, é importante conhecer outras ideias e vivenciar perspectivas para escolher em uma votação”, declarou a aluna.
Essa percepção é compartilhada por Marina Bonfim, 17 anos, aluna no curso de Letras – Língua estrangeira, que também ressalta a importância de ter um leque mais amplo de opções na disputa. “Nós ficamos restritos a um só ideal”, enfatizou.
Julia Borges
Repórter e Chefe de Reportagem do Notícias da UFBA
Estudante de Jornalismo do 2° semestre, atua na rádio Piatã FM, no projeto "Bahia on Set" e comanda a página "Tagarelices" no Substack

