Curta metragem tem duração de 23 minutos | Foto: Eduarda Garcia
Por Kevin Brendol
O documentário “Educação e Ciência por um Brasil que dá certo” estreou, na quinta-feira (24), no auditório do PAF 3, no campus de Ondina, em Salvador. O filme aborda a força dos institutos públicos diante dos ataques ideológicos e dos cortes orçamentários que atingem os setores da educação pública. É demonstrado na obra que as universidades públicas resistem e são espaços de produção e disseminação de conhecimento e cultura. O documentário está disponível no canal do Youtube. (clique aqui e assista)
A produção foi realizada pelo Sindicato dos Docentes (Andes-SN), em parceria com o Coletivo Democracia e Luta. O lançamento reuniu cerca de 25 pessoas e contou com a participação de docentes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e do “Slam das Minas”, movimento cultural voltado à poesia feminina.
Salvador é a quarta capital escolhida entre seis para a estreia do documentário, junto com São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Manaus e Curitiba. A direção é de André Manfrim, documentarista e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais na Universidade de São Paulo (USP).
O lançamento na UFBA foi articulado pela professora da Faculdade de Economia e representante do Coletivo Democracia e Luta, Helena Barreto. Ela explicou que o grupo se mobilizou ativamente para trazer o documentário à capital baiana. O objetivo era garantir que a comunidade acadêmica tivesse acesso à obra. “Salvador é uma cidade muito rica culturalmente e tem uma população diversa. É importante para a história do nosso país e para as lutas de hoje”, afirma.
Ciência crítica e transformadora

O documentário possui duração de 23 minutos, foi produzido em São Paulo e no Pará e apresenta o relato de estudantes e professores da rede pública que enfatizam a educação como resistência. Ao longo da obra há uma análise sobre os ataques sofridos pelas instituições de ensino, desde o período da ditadura militar até as tentativas atuais de censura de obras literárias e racismo.
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São apresentados projetos que levam o conhecimento acadêmico para além dos muros da universidade, como o apoio à cultura popular em Belém e ações de assistência à saúde.
O escritor Jeferson Tenório, autor do livro “O Avesso da Pele”, participa do curta-metragem. O autor destacou o recolhimento de sua obra em escolas públicas, em março de 2024, no Rio Grande do Sul, motivado por representantes de ideologias conservadoras que acusavam o livro de ser inapropriado, sob a justificativa de que o vocabulário utilizado seria impróprio para adolescentes. A obra aborda temas como racismo estrutural, violência policial e a morte de pessoas negras, com uma linguagem acessível.
O escritor defende o sistema de cotas nas universidades públicas e como as instituições se tornaram ambientes mais plurais e diversos ao longo dos anos em comparação com o passado.
Impacto comunitário
A produção apresenta dados do Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI), que evidenciam como as universidades públicas são responsáveis por cerca de 95% da produção de conhecimento científico no país, apesar das limitações orçamentárias. O filme reforça a importância das pesquisas acadêmicas em áreas críticas, como o desenvolvimento de vacinas e testes, em específico, o sequenciamento do genoma do covid-19.
O documentário destaca o papel dos estudantes de graduação que acompanham e realizam atendimentos à população em Belém, capital do estado do Pará, como o uso de laboratórios universitários para realizar exames confirmatórios de doenças. Além dos projetos de extensão que buscam diagnosticar e trabalhar questões sanitárias diretamente na comunidade.
“Defender a universidade pública e, sobretudo, que a universidade pública continue sendo essa guardiã da democracia brasileira, passa por orçamento, para que a universidade possa ter condições infraestruturais para garantir um ensino de qualidade”, destaca o presidente do ANDES-SN, Cláudio Mendonça.
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Poesia e resistência

O coletivo “Slam das Minas”, representado por Nega Fyah e Ludmilla Singa, foi convidado para demonstrar como a universidade pública deve ser ocupada pela cultura, política e representatividade. Por meio dos versos, as integrantes abordaram temas que dialogam com a realidade negra, periférica e marginalizada. As rimas demonstraram a presença da ancestralidade negra nas áreas de conhecimento e são acompanhadas de denúncias ao racismo e aos atentados de ódio contra as minorias.
“Sabe a filha da empregada? Também tá letrada, dentro ou fora da academia, usando o pretuguês com ousadia para fazer a retomada que não virá de mão beijada”, recita a poeta Nega Fyah.
Kevin Brendol
Repórter Notícias da UFBA,
Estudante de Jornalismo do 2° semestre, atua na Agência Experimental de Comunicação e Cultura (AECC)

