Estudantes da UFBA criam startup para organizar informações de pacientes do SUS

Pesquisadores apresentaram o projeto em Florianópolis durante evento do Sebrae | Foto: acervo pessoal

 

Por Alice de Freitas 

Estudantes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) desenvolveram uma plataforma que obteve reconhecimento nacional no prêmio Sebrae Startups 2026. O projeto Prontuário Social foi pensado para solucionar a fragmentação de dados dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa reúne as informações de saúde dos usuários que, atualmente, ficam espalhadas em diferentes sistemas das unidades de atendimento. 

Outra funcionalidade da plataforma é unificar dados considerados nos pronto-atendimentos tradicionais, como histórico de doenças ou uso de medicamentos contínuos, por exemplo. São compiladas também informações sociais de cada indivíduo, como o acesso a saneamento básico, alimentação e escolaridade. 

A startup ficou entre as mil selecionadas pelo Sebrae para participar do Startup Summit, um dos maiores encontros de  inovação, tecnologia e empreendedorismo da América Latina, sediado em Florianópolis, Santa Catarina.

O evento aconteceu entre 26 e 28 de agosto e, nesse período, os criadores do projeto, os estudantes Rebeca França  e Mickael Bomfim , ambos de 22 anos, representaram a UFBA na divulgação de sua iniciativa para mais de 200 palestrantes e investidores. 

Bomfim, estudante de Ciência da Computação, relata que, na ocasião, fizeram contato com projetos de incentivo ao empreendedorismo e de aprofundamento teórico. Ele enfatiza a relação que a dupla tem com o tema da saúde pública: 

“A iniciativa veio do que nós somos. É a nossa vivência.”

Bomfim e França assistiram a palestras sobre perspectivas de inovação durante o evento | Foto: Green Fotografias

Origem do projeto 

Rebeca França, estudante de Terapia Ocupacional, afirma que a iniciativa para a criação do Prontuário Social surgiu em uma de suas conversas com o parceiro, quando foi indagada sobre a principal dificuldade que enfrentava na área da saúde.

A pesquisadora relatou que a fragmentação de dados dos pacientes gera atrasos e empobrece a qualidade do atendimento público. O debate ajudou a mobilizar o colega na missão de encontrar soluções acessíveis ao problema.

A partir de então, os discentes reuniram seus conhecimentos em tecnologia e saúde para criar o Prontuário Social. Para França, a adoção da plataforma no SUS é essencial. 

“São muito mais informações na sua frente, e de forma organizada. O social [na busca pelo diagnóstico de pacientes] é tudo”, afirma.

Naturais de Candeias, na Bahia, os pesquisadores são os primeiros de suas famílias a estudarem na universidade pública. Eles destacam que “não há transformação sem educação” e afirmam a representatividade que carregam enquanto dois jovens negros que ocupam espaços de pesquisa e empreendedorismo, majoritariamente associados a pessoas brancas.

 

Incentivo do Sebrae

O convite para o Startup Summit veio após a inscrição dos estudantes no prêmio “Sebrae Startups” em maio deste ano. Contemplado pela premiação, o Prontuário Social foi classificado como uma das mil startups mais promissoras do Brasil, compondo uma lista que conta com apenas 23 do estado da Bahia. 

Bomfim e França descrevem a participação no evento como uma oportunidade em que acumularam conhecimentos sobre o uso da tecnologia como recurso para gerar impacto e  melhorias sociais. 

 

Startup Summit recebeu mais de 11 mil pessoas de mais de 30 países | Foto: Green Fotografias

Os estudantes afirmam que “não existe inovação sem inclusão e diversidade”, e destacam o contato que tiveram com iniciativas de empreendedorismo negro e feminino em Florianópolis. Além disso, relatam que participaram de discussões relacionadas ao uso de IA e à manutenção da soberania digital no Brasil.

GovTech em três faces

O Prontuário Social se trata de um “web app” composto de três interfaces principais: uma para pacientes, outra para profissionais da saúde e uma terceira voltada para servidores administrativos dessa área, como as secretarias de saúde estadual e municipal. Voltado para a saúde, o projeto é considerado uma “HealthTech”.

Bomfim conta que a plataforma foi constituída nesse modelo para que sirva como ferramenta não só para os médicos e pacientes – diretamente envolvidos no processo de atendimento –  mas para as secretarias do governo. Dessa forma, o Prontuário Social auxiliará na definição de orçamentos proporcionais às necessidades de cada grupo social, facilitando a administração pública.

Plataforma será gratuita e disponível nas versões desktop e mobile | Acervo Prontuário Social

 

Para garantir o amplo acesso da comunidade nessas três instâncias, a startup é do modelo “GovTech”. Esse tipo de empresa foca no desenvolvimento tecnológico, para gerar inovação e fortalecer a economia de recursos públicos. 

De acordo com o site do GovBR, essas iniciativas integram os agentes públicos de desenvolvimento digital em um único ecossistema, pondo em colaboração o Ministério da Gestão com o da Ciência, Tecnologia e Inovações, além de incluir a Escola Nacional de Administração Pública (Enap). 

Serviço

Atualmente, o Prontuário Social faz parte do Hub SESI Saúde, um espaço de apoio a projetos que solucionam desafios da indústria através da saúde. Nessa instituição, Rebeca e Mickael participam de mentorias e consultorias técnicas, em busca de aprimorar sua pesquisa.

No momento, a iniciativa está em fase de incubação e, em meses, seguirá para testes e projetos-piloto de sua implementação na rede pública. 

Atualizações sobre o Prontuário Social podem ser obtidas através do perfil do no Instagram (@prontuariosocial), que é movimentado pelos idealizadores do projeto.

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