“É possível ter uma gestão boa e proativa para captar recursos”, diz Penildon Filho, candidato a reitor da UFBA

Foto: Kaylane Matos

por: Allison Machado e Yasmine Braz

 O Notícias da UFBA publica, a partir de terça-feira (12), entrevistas com os quatro candidatos que disputam a reitoria da universidade. Em ordem alfabética: Fernando Conceição (12.05), João Carlos Salles (13.05), Penildon Silva Filho (14.05) e Salete Maria da Silva (15.05).
Penildon Silva Filho quer melhorar a gestão na UFBA e aposta no diálogo institucional e na busca por mais recursos financeiros. Atual vice-reitor, disputa a reitoria pela chapa 1 (Mais UFBA) e tem como vice Bárbara Coelho, professora associada da UFBA. Formado em Comunicação Social pela Faculdade de Comunicação (Facom), Penildon construiu sua trajetória dentro da universidade. Foi coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), diretor-geral do Instituto Anísio Teixeira (IAT) e esteve à frente da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação, onde atuou em políticas voltadas à permanência estudantil. Durante a campanha, defende sua experiência na administração como um diferencial e critica posturas adotadas pelos adversários. Pretende retomar obras inacabadas, reforçar segurança nos campi e investir em soluções para os alagamentos em períodos de chuva.

Notícias da UFBA – Por que o senhor quer ser reitor da Universidade Federal da Bahia?

Penildon Silva Filho – A Universidade Federal da Bahia se encontra em um momento histórico extremamente importante. Nós temos uma transição geopolítica, o mundo está mudando. Temos uma transição tecnológica com grande impacto das tecnologias da informação e da inteligência artificial no mundo do trabalho e na educação. Temos cada vez mais a necessidade de afirmar a centralidade da ciência, da tecnologia e da cultura como motor do desenvolvimento social, econômico e cultural do país. Por conta disso, a universidade é essencial e a UFBA pode dar uma contribuição muito grande para o Brasil ao aproveitar esse momento de mudanças para consolidar seu ensino, pesquisa e extensão. Então, quero ser reitor e Bárbara quer ser vice-reitora porque nós representamos um grupo, um coletivo de professores, técnicos e estudantes que compreende que a universidade pode se inserir nesse mundo em transformação e também pode ter uma gestão melhor. Ela pode funcionar melhor, garantir condições de trabalho melhores para professores e técnicos. Pode garantir condições melhores de estudo para os alunos e, ao mesmo tempo, vamos continuar com a luta em defesa da universidade pública e gratuita. Pedimos um voto de confiança à comunidade para estar nesse momento de grandes transformações, de afirmação da universidade pública e de necessidade de melhorar a nossa gestão.

Estou como vice-reitor e fui designado para contribuir na coordenação do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento das Universidades]. Nesse programa, a UFBA é a universidade que mais captou recursos: R$242 milhões. Um dos prédios que vai ser terminado com esses recursos é o da frente da Escola Politécnica. Em Ondina, perto da Facom [Faculdade de Comunicação], vamos terminar a Escola de Música e construir o Instituto de Ciências da Informação. Vamos terminar o segundo prédio do IHAC [Instituto de Humanidades, Artes & Ciências Professor Milton Santos]. Já temos operários trabalhando para concluir o anexo de Física e Química e na biblioteca da Faculdade de Filosofia. Então, demonstramos que é possível ter uma gestão boa e proativa para captar recursos do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], executar e terminar as obras. Queremos levar essa experiência para todas as áreas da universidade: o ensino, a pesquisa, a extensão. Reconhecendo que a gestão nessas áreas acadêmicas pode melhorar também.

Foto: Kaylane Matos
NU – O Bacharelado Interdisciplinar (BI) é um dos cursos com mais alunos da UFBA, mas sofre com problemas burocráticos. Um deles é a quantidade desproporcional de vagas oferecidas na transição BI-CPL (Curso de Progressão Linear). Como sua gestão pretende lidar com essa demanda?

PSF – Quando estive na Pró-Reitoria de Ensino de Graduação [Prograd], nós abraçamos uma proposta do IHAC, que era a reserva de 10% das vagas dos componentes que não tinham pré-requisito para os estudantes, e conseguimos aprovar. Também naquela época, junto com o diretor do IHAC , o professor Messias Bandeira, percorremos todas as unidades de ensino propondo a criação de áreas de concentração. Elas são a parte do curso do BI em que o aluno começa a pegar as matérias do curso que quer migrar depois de três anos. Ele começa a adiantar seu curso no CPL e também a estabelecer uma relação da interdisciplinaridade com a sua área de profissionalização. Entendo que o fortalecimento desse caminho que  iniciamos lá atrás vai permitir tanto a oferta de mais disciplinas para os alunos do IHAC como também uma transição mais suave, no momento em que os alunos terminarem os três anos dos BIs e forem para o CPL. Ou seja, um trabalho mais curricular, mais pedagógico, de entrosamento e afinamento entre os projetos pedagógicos dos BIs com os cursos.

O IHAC é um projeto inovador que permite o amadurecimento do aluno ao proporcionar o ingresso em uma grande área do conhecimento e a possibilidade dele poder transitar pela cultura artística, humanística e científica. A gente fala muito de evasão, mas grande parte dessa chamada evasão não é evasão. São estudantes que deixam o curso e migram para outro porque querem compreender mais a universidade, amadurecer no ambiente universitário e usufruir mais da cultura universitária interdisciplinar.

Por conta disso, por ser um projeto pedagógico importante, ele é muito necessário para a UFBA. Apoiei esse projeto desde o início e tenho compromisso. Inclusive, um dos pontos do nosso plano de gestão é o fortalecimento desse projeto.

NU – Como o senhor avalia os transtornos causados pela transição do sistema SIAC para o SIGAA, especialmente nos casos em que estudantes tiveram matrículas excluídas? 

PSF – Estávamos em um processo de implantação do SIGAA até outubro do ano passado e houve um problema de gestão que interrompeu a transição que estava sendo exitosa. Quando houve a troca da superintendência acadêmica e de vários coordenadores que também lá trabalhavam, o processo de transição do SIGAA foi interrompido e prejudicado devido ao desrespeito ao trabalho de transição que estava sendo feito. Nós sabemos que qualquer transição de sistema exige continuidade. Se você muda a pessoa que está no meio da transição de um sistema para outro, vai ter problemas. Esperamos que não tenhamos que esperar até agosto, na posse da nova reitoria, para começar a resolver tudo. 

Nós propomos uma governança conjunta que envolva a Supac [Superintendência de Administração Acadêmica], a STI [Superintendência de Tecnologia da Informação], os colegiados e protocolos em que a autonomia dos colegiados seja respeitada. Tem que haver um processo de customização do SIGAA, porque isso acontece em todas as universidades que implantaram. Ele tem que ser adaptado à realidade local e tem que haver uma regularidade de reuniões entre as equipes de Supac, STI e os colegiados de curso, para que a gente possa, aos poucos, ir ajustando o que está pendente. É um processo de transição de sistema. Exige trabalho cooperativo e os gestores têm que estar presentes atuando conjuntamente.

NU – Com a recorrência de assaltos nos campi e o registro de três furtos na última semana de abril, nos dias 28, 29 e 30, qual é seu plano para enfrentar esse cenário e melhorar efetivamente a segurança da comunidade acadêmica?

PSF – A universidade e a reitoria têm que assumir a responsabilidade, mesmo sabendo que a segurança é melhor do que fora da universidade. Entendemos que essa é uma questão de gestão que não tem recebido atenção necessária e nós vamos dar atenção a isso. A instituição precisa ser aberta a todos. Mas acho que os estudantes, professores e técnicos que não são da UFBA podem ter acesso também. É importante que se chegue na portaria, apresente uma carteira de identidade, diga para onde está indo e, depois, seja liberado para entrar. Sabemos que, por exemplo, na região de Ondina, pessoas chegam da praia e utilizam os banheiros do Instituto de Dança. E para isso proponho o “UFBACard”, que irá servir para acesso à universidade, pegar livro na biblioteca e acessar o Buzufba, já que muitas pessoas que não são da universidade têm acesso e ocorre a superlotação do transporte. E também para tornar a fila do restaurante universitário mais ágil, com as quantidades de refeições contabilizadas no cartão. Entendemos que é possível melhorarmos a questão da segurança. É uma questão de gestão, que não tem sido suficientemente cuidada.

NU – As chuvas ocorridas no fim de abril geraram diversos transtornos nos campi, especialmente no campus Ondina, que se tornou quase intransitável devido à lama e às poças de água enormes. Quais os planos da sua gestão para lidar com a falta de escoamento das águas pluviais?

PSF – Como falei no início, nós conquistamos R$242 milhões de reais do PAC  das universidades que hoje está servindo para terminar uma série de obras paradas. Não resolvemos todas porque ainda temos algumas unidades que não têm sede. Quem conseguiu captar quase um quarto de bilhão de reais pode ter a esperança de, com luta, captar mais recursos. Com esses recursos, queremos terminar as demais obras, como o Instituto de Psicologia e Serviço Social e o Instituto Multidisciplinar de Reabilitação e Saúde, além de fazer uma obra de drenagem no campus de Ondina.

Nós tivemos um campus construído em uma área alagadiça. O Instituto de Biologia foi construído em cima de uma área de pântano, mas dá para fazer algumas obras de infraestrutura de escoamento de água. Isso será essencial porque, com as mudanças climáticas, os eventos climáticos estão mais extremos. Vamos ter cada vez mais chuva, mais sol, mais calor, mais exageros nos eventos climáticos e o nível do mar vai subir. O campus Ondina está um pouco abaixo do nível do mar. Vamos ter que investir muito, mas temos dinheiro, engenheiros, arquitetos e uma estrutura competente que pode lidar com isso. Vamos correr atrás de recursos.

Confira também as entrevistas com os outros candidatos:

NU – A escadaria da Politécnica é um dos trajetos mais utilizados para transitar entre Ondina e Federação. Existem queixas por conta da quantidade de degraus, da falta de cobertura e da lama em dias de chuva. Quais são as medidas previstas pela sua gestão para esse problema? É possível tornar realidade o projeto do bondinho?

PSF – Acredito que isso sim, o nosso compromisso é lutar para conseguir recursos para este projeto. A Politécnica tem também a proposta de algumas passarelas. Uma passarela da Politécnica para Arquitetura. Uma passarela que liga o estacionamento de Arquitetura com a biblioteca Omar Catunda, a biblioteca da área de exatas, que permitiria um acesso ao campus através da biblioteca. O recurso tem que ser captado ainda, mas entendemos que é uma solução de engenharia viável, como a própria Escola de Engenharia já identificou. Temos que melhorar o escoamento, a drenagem da escada, mas paralelamente, temos interesse em lutar para conseguir o recurso para esse bondinho.

NU – No semestre letivo 2025.2, a empresa responsável pelo Buzufba foi substituída. Há relatos de reclamações da superlotação por conta da frota reduzida, situação agravada pelo calor exaustivo com o desligamento dos aparelhos de ar-condicionado. Caso seja eleito, o que sua gestão fará com relação a esse problema? 

PSF – O Buzufba depende de recursos da PNAES (Política Nacional de Assistência Estudantil). Temos que fazer uma luta nacional para conseguir mais recursos orçamentários para a universidade. Atualmente, a PNAES roda com cerca de R$1 bilhão. Entendemos que são necessários pelo menos mais R$2 bilhões. Tendo mais recursos, vamos conseguir ter um contrato melhor do Buzufba. Entendo que com o UFBACard, e evitando que pessoas que não são da UFBA utilizem o ônibus, vai melhorar o conforto para quem é estudante e da comunidade da universidade. Ou seja, é lutar para ter mais recursos da assistência estudantil. Temos interesse em fazer essa luta junto com os outros reitores das universidades federais. Contar com o apoio do movimento estudantil, da União Nacional dos Estudantes, do movimento social até fora da universidade.

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