Evento na Faculdade de Comunicação destaca protagonismo negro na moda e promove debates sobre representatividade e ancestralidade.
Por: Fael Souza
“O racismo é uma doença. Não tenho medo do racismo”, foi assim que disse Negra Jhô, dona do Studio Negra Jhô para penteados Afro, no último dia de palestras da Semana de Comunicação Antirracista na Faculdade de Comunicação (Facom). Produzido pelo Centro Acadêmico da faculdade, o evento marcou o encerramento das atividades da primeira Semana de Comunicação Antirracista.
Para Lucas Dilay, fundador da Salcity, houve uma grande mudança entre a moda e negritude nas últimas décadas. “Em 2010, a gente não discutia sobre negritude como se discute hoje. Representatividade negra não estava em pauta, não existia dessa forma”, afirma o empreendedor. Sua marca se preocupa em trazer modelos negros e pardos para divulgar suas roupas. “A moda não é só estética, mas um espaço de resgate e fortalecimento da identidade negra.”
Lara Leão, diretora do Laboratório Ancestral, também contou das dificuldades de trazer um estilo de moda fora do padrão branco que já existe. Ela passou por diversas dificuldades antes de começar a ensinar costura tradicional de candomblé, pensando que não ia conseguir sobreviver com costura por um tempo. Porém, teve sua grande virada quando ela e sua sócia começaram a fazer lives ensinando sobre costura e começaram a ganhar dinheiro e espaço. Esse foi seu primeiro passo para a criação do Laboratório Ancestral com seus cursos, sendo uma virada, já que a costureira não acreditava que teria espaço para falar da moda negra.

Heloísa Helena, vice-presidente do Centro Acadêmico, vê esse evento como uma oportunidade de trazer outros grandes eventos para a faculdade. Eles já vêm tendo uma aprovação dos estudantes desde o Paredão da Facom, no começo do semestre, que reuniu mais de mil estudantes até o fim da noite, de acordo com dados do próprio Centro. Essa aprovação foi mostrada através da assembleia geral realizada após o evento.
Em um momento de fala de Lucas Dilay, ele fez convite para dois alunos da faculdade serem modelos de sua marca, sendo um deles Sophia Eloy, aluna de Jornalismo. “É uma honra ser convidada por nomes grandes da moda. É lindo ver como eles servem como uma inspiração na área da moda e nos ajudam a entrar nesse mundo também”, afirma a estudante.
A moda afro vem ganhando destaque nos últimos anos. No Afro Fashion Day, um dos grandes eventos de moda em Salvador, parte do evento é preparado para os afroempreendedores divulgarem seu trabalho na moda. Um exemplo disso, foi em 2024, quando 50 estandes foram feitos para os empreendedores venderem seu trabalho para quem passasse pelo evento. Além disso, mais de 300 estilistas e criadores participam do evento desde 2015.

