O método, desenvolvido pelos professores Daniel Pinha e Maiara Gonçalves, visa ao combate às fake news nas escolas.
Na primeira sexta de dezembro (6), os historiadores Daniel Pinha (UERJ) e Maiara Gonçalves (UFRN)
ministraram um minicurso de três dias com métodos para o ensino de história nos tempos
atuais de fake news. A mudança seria na conduta do professor em sala de aula a fim de
controlar a onda conservadora que ganhou popularidade desde as Jornadas de Junho, em 2013. O minicurso, intitulado “Ensino de História do Brasil em tempos de crise democrática”
fez parte da programação do VIII Seminário de História Política, da Faculdade de Filosofia e
Ciências Humanas (FFCH), que ocorreu entre os dias 04 e 06 do mês.
Os educadores defendiam que, atualmente, vive-se um período de crise democrática, onde
as instituições sociais são constantemente atacadas, tendo o historiador um papel fundamental
de interventor nesse cenário. Segundo Pinha, o “pacto com a verdade” por esses profissionais
é inegociável. Ele argumenta que o papel do historiador é de não abrir mão da verdade,
explicitando fontes, metodologias e elaboração teórica ao introduzir um novo assunto.

Para a professora Maiara Gonçalves, é necessária a ampliação de repertório pelo professor
para tornar o currículo mais inclusivo, bem como o aumento da diversidade de autores nos
materiais didáticos e a seleção de conteúdos que atendam às demandas dos alunos social e
culturalmente.
O professor Daniel Pinha também complementou que o combate a qualquer comportamento
antidemocrático deve ser feito por meio da comprovação histórica daquele cenário. “A
conduta de um professor de história e de um educador em relação a alguma manifestação
dessa natureza, seja por estudantes ou familiares, é a de defesa radical dos valores
democráticos. Isso significa abrir um espaço de escuta, apresentar evidências sobre as
argumentações, tentar construir pontes. Fora do universo da escola e da universidade a
sociedade vive um contexto de muita polarização. A sala de aula é o ambiente necessário para
promover o diálogo desses valores, ela tem um valor fundamental nisso” reforçou.

Outro assunto abordado pelos ministrantes foi o modo como a mudança de um regime
político afeta a maneira como a história é ensinada. “A primeira disciplina afetada é história.
Ela sofre intervenções diretas de dirigentes políticos e sofre a vigilância da disciplina escolar.
Estamos a todo momento sendo patrulhados não só pela gestão, mas também pelo nosso
‘público’”, apontou Gonçalves. Ela garante que preserva o compromisso ético dos
professores, o de suscitar reflexões.

