Pesquisadoras defendem uso de plantas medicinais na odontologia

Estudantes apresentam plantas em estande no PAF IV. Foto: João Pedro Neves

Grupo exibiu amostras de espécies com potencial terapêutico

Por João Pedro Neves

Seja para substituir medicamentos convencionais, seja para complementá-los, há
uma variedade de plantas que podem ser usadas por dentistas para tratamentos
bucais. É isso que defende um grupo de pesquisadoras de graduação e
pós-graduação em Odontologia, vinculadas ao Laboratório de Bioquímica Oral
do Instituto de Ciências da Saúde (ICS). Elas apresentaram o resultado de seus
estudos na última quinta-feira, 28, durante o Congresso UFBA.

No PAF IV, um estande montado pelas estudantes mostrou exemplares de
plantas cujos benefícios medicinais já são documentados, as chamadas
fitoterápicas. Uma tabela identificou cada espécie e os contextos nos quais os

seus usos são indicados. De acordo com o grupo, o benefício dos fitoterápicos é
observado em uma série de situações, desde limpeza bucal até o tratamento
contra aftas, candidíases, gengivites, herpes e úlceras. A maior parte das plantas
apresentadas são aplicadas em forma de creme, gel e pomada.

Kleise Santos, do sexto semestre de odontologia e membro do grupo de
pesquisadoras, enfatiza que os usos terapêuticos de algumas plantas já são
divulgados pela sabedoria popular há séculos. Um exemplo citado é o da folha de
cajueiro, indicada para bochechos em casos de aftas e úlceras. No entanto, ela
também afirma que os tratamentos naturais não devem substituir a busca por
profissionais da odontologia. “Não acho que um precisa acabar para que o outro
exista. Eles se complementam”, ressaltou.

A doutoranda Natália Novais, do Programa de Pós-Graduação em Processos
Interativos dos Órgãos e Sistemas (PPgPIOS-UFBA), destacou o potencial da
biodiversidade brasileira para as pesquisas na área. “A gente tem muitas
possibilidades, muitas plantas. Elas são de diferentes famílias. Às vezes, numa
mesma família nós temos mais de três diferentes usos de plantas medicinais”,
destacou. Desde 2009, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem 71 espécies
catalogadas na Relação de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (ReniSUS).

Estudantes de odontologia que assistiram à apresentação valorizaram as novas
formas de tratamento que a fitoterapia apresenta. Mariana, do sexto semestre,
apontou o uso da folha do maracujá para pacientes que sofrem de ansiedade.
“Pode ser útil para quem tem medo de dentista e de consultórios odontológicos”,
afirmou. João Grizorte, do terceiro semestre, lembrou da sabedoria transmitida
por familiares que agora encontra respaldo científico. “É aquele conhecimento
que vem dos pais e dos avós, mas que a gente não via cientificamente”, celebrou.

Amostras de plantas de uso medicinal. Foto: João Pedro Neves

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *