Luisa Maria Diele Veigas | Foto: Walter Costa Neto
por Yasmine Braz
Docente da Universidade Federal da Bahia, a bióloga Luísa Diele Veigas foi reconhecida pelo Planet Earth Award, prêmio internacional que valoriza pesquisadores e cientistas focados no combate às crises ambientais. É a primeira vez que uma brasileira recebe o prêmio da Aliança Mundial de Cientistas (em inglês, Alliance of World Scientists – AWS).
A premiação aconteceu em fevereiro e destacou a professora pelo projeto desenvolvido no Instituto de Biologia, o Laboratório de (Bio)Diversidade no Antropoceno (BioDiva). Apenas sete entre 27 mil pesquisadores inscritos foram selecionados. Outro brasileiro foi premiado na edição de 2026, o professor de física ambiental da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Artaxo.
“É muito representativo ser a primeira brasileira a receber o prêmio, ainda mais sendo uma jovem pesquisadora”, afirma a professora Luísa Diele Veigas, que concluiu o doutorado em ecologia e evolução em 2019 na Universidade Federal da Bahia (UFBA).
PREMIAÇÃO – O Planet Earth Award, frase que em português pode ser traduzida como Prêmio Planeta Terra, é concedido pela AWS e reconhece pessoas que atuam na defesa e enfrentamento da crise ambiental planetária, seja de forma criativa ou trabalhos em causas ambientais com base científica.
Diele Veigas é bióloga, pesquisadora e cientista. Desde 2021 escreve artigos científicos para a aliança Scientist Warning (Aviso Científico, em portugês), iniciativa da AWS que reúne alertas de cientistas sobre as mudanças climáticas. Os textos buscam conscientizar a sociedade dos impactos e os desafios da crise ambiental.
Na UFBA, inicialmente, Diele Veigas colaborou por dois anos como professora visitante no Instituto de Biologia, onde estabeleceu o BioDiva.
Atualmente, é pesquisadora de pós-doutorado na Michigan State University e docente permanente no programa de ecologia da UFBA. Também preside a rede Kunhã Asé de Mulheres na Ciência, integra a Organização para Mulheres na Ciência no Mundo para Desenvolvimento (Unesco), é vice-presidente da Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação (Abeco) e consultora do Ministério do Meio Ambiente do Brasil para a estratégia nacional da biodiversidade.
TRABALHO EM DESTAQUE – O BioDiva atua de forma transdisciplinar com comunidades indígenas no enfrentamento dos desafios ambientais. São relacionados saberes tradicionais com o científico em trabalhos ligados à diversidade e inclusão de gêneros. O projeto passa por três linhas de pesquisas:
- O impacto das ações humanas na biodiversidade e nos sistemas naturais e humanos, avaliando através do método científico,
- Governança e diplomacia científica, trabalhando com a diversidade e inclusão a partir dos preconceitos culturais,
- Relação sociedade-natureza e etnobiológica como ferramenta de conservação, onde há a troca de conhecimento visando o desenvolvimento de soluções para os problemas ambientais.
A bióloga destaca que a premiação não oferece retorno financeiro, mas trouxe visibilidade para seu trabalho. “Recebi alguns contatos de colaboração e parceria, além de convites para participar de projetos e e-mails de alunos de outros países que querem vir para o Brasil para fazer mestrado e doutorado comigo”, conta Diele Veigas após a repercussão.
CIÊNCIA NAS UNIVERSIDADES – Sobre a produção científica ambiental nas universidades públicas no Brasil, a professora ressalta que, apesar da limitação de recursos e dos desafios estruturais enfrentados por um país em desenvolvimento, o Brasil é reconhecido internacionalmente pela qualidade das pesquisas desenvolvidas por ser um centro de referência na área.
“A qualidade do nosso treinamento científico, especialmente na pós-graduação, é elevada. Observamos um maior intercâmbio de cientistas e pesquisadores estrangeiros”, explica.
ORGULHO – Aluna no Instituto de Biologia celebra a conquista e destaca a representatividade em uma premiação voltada à conscientização sobre o meio ambiente e o enfrentamento às crises ambientais.
Para a estudante de Biologia Elis Anjos, de 18 anos, a conquista do prêmio é significativa para o ensino acadêmico, ao dar visibilidade às pesquisas desenvolvidas por estudantes e professores.“É muito gratificante ver uma professora da UFBA em uma premiação de reconhecimento internacional pela questão ambiental. É um prêmio importante, representativo para as mulheres e histórico.”, declara.
O reconhecimento da bióloga também é motivo de orgulho para a aluna que dividiu o espaço acadêmico. É o caso da Anny Loz, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), que teve a professora como coorientadora durante seu mestrado. Ela se emociona ao ver o trabalho da bióloga sendo premiado internacionalmente pela produção científica ambiental.
“O projeto dela sendo reconhecido só reforça o quanto ela é incrível e merece todas as conquistas. Além de reforçar que é possível fazer ciência de qualidade e gerar impacto real no meio ambiente”, assinala.
Loz também destaca com carinho a relação construída com a bióloga durante a trajetória no mestrado.
“A professora Luísa sempre foi uma referência. Me ensinou uma nova metodologia e uma nova abordagem de forma tão leve que virou uma chave na minha cabeça. Ela me inspira por ser uma mulher múltipla, que concilia a ciência com outras esferas da vida.” declara Anny.
SERVIÇOS:
- BioDiva – @biodiva.lab
- Kunhã Asé de Mulheres na Ciência – @kunhaase
- Organização para Mulheres na Ciência no Mundo para Desenvolvimento (Unesco)
- Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação (Abeco)
Yasmine Braz
Jornalismo Integrado I – GCOM0035
Estudante do 2º semestre de Jornalismo na UFBA com atuação em gestão de mídias sociais e comunicação


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