Professor Sérgio no Instituto de Química | Foto: Antônio Soares
Por Antônio Soares
O professor e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Sérgio Luis Costa Ferreira, teve sua carreira acadêmica reconhecida pela Sociedade Brasileira de Química (SBQ) ao receber a Medalha Simão Mathias. Ele é o terceiro docente da universidade a ser condecorado na iniciativa que destaca cientistas que contribuem para o desenvolvimento da química no Brasil.
A medalha Simão Mathias foi instituída em 1997, como instrumento para reconhecer e celebrar aqueles que contribuíram para o progresso científico e as ações da SBQ.
O docente comemora principalmente por atuar em uma universidade federal fora dos grandes centros, onde há um financiamento mais consolidado. “Ficamos muito felizes, esse prêmio é importante pelo reconhecimento de estarmos numa instituição pública e nordestina. Foram apenas quatro homenageados dentro de um amplo cenário”, relata.
Por meio de nota, a SBQ informou que a cerimônia de premiação ocorrerá no dia 16 de junho deste ano em Campinas, durante a 49° Reunião Anual da SBQ, que terá como tema “Química para a Soberania Nacional”. O evento será no Parque de Exposições e reunirá em torno de 2.500 pessoas.
ACADÊMICO – O professor Sérgio Luis acumula feitos significativos no meio acadêmico e administrativo. Atuou, entre 1998 e 2000, como vice-diretor do Instituto de Química, foi integrante da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) e do corpo editorial das revistas Microchemical Journal e Applied Spectroscopy Reviews. Além disso, foi pró-reitor de Ensino de Pós-Graduação e Pesquisa da UFBA entre 2020 e 2022.
Suas pesquisas são voltadas para diferentes setores, em especial a química analítica, segmento de estudo focado na separação, identificação e quantificação dos componentes de uma amostra. A produção do docente inclui mais de 300 artigos publicados, com mais de 15 mil citações e relevância internacional.
Mesmo com a vasta contribuição para o cenário da química nacional, o professor atribui como mais importante para a conquista da medalha o impacto na sua atuação como docente. “Minha história de vida passa muito pela formação de pessoas”, celebra.
Todas as universidades do estado da Bahia têm alunos do professor Sérgio: UFBA, UNEB, UESB, UESC, UFRB, UFSB e UEFS. “Conta muito para mim a participação no desenvolvimento de alunos e saber que contribuí na formação de pessoas que hoje têm o seu sustento e estão bem estabelecidas”, comentou.
O diretor do Instituto de Química da UFBA, Martins Dias de Cerqueira, afirma que a medalha dada ao professor Sérgio evidencia um trabalho continuado de formação de novos profissionais.
“É muito importante para toda a comunidade do Instituto de Química ter um de seus membros sendo reconhecido pelo trabalho desenvolvido na UFBA. Há um simbolismo muito grande, pois o professor Sérgio Ferreira é formado pela UFBA e atua como docente na instituição desde 1982, contribuindo para a formação de várias gerações de químicos, farmacêuticos e engenheiros. Foi meu professor na graduação e guardo lembranças carinhosas de suas aulas”, recorda.
EXCELÊNCIA – Doutor em química analítica, o professor Sérgio Ferreira faz questão de ressaltar o destaque que a química na UFBA possui academicamente, sendo um dos primeiros programas de pós-graduação a ser estabelecido na universidade, além de evidenciar o nível de excelência da sua área de especialização .
“A área da química analítica sempre esteve no topo dentro da Bahia, tínhamos uma biblioteca referência no nordeste. Além disso, a maioria das pessoas formadas na UFBA ainda tem vínculos com a química analítica e a segue exercendo em outras instituições”, assinala.
Tínhamos uma posição muito forte com uma biblioteca referência no nordeste, pessoas vinham para a Bahia, pois havia um suporte maior na área de analítica”
O professor espera que a sua carreira mostre que, por meio da educação, é possível alcançar objetivos. “O maior exemplo da educação ser a base vem do meu pai. Que esta medalha sirva de inspiração para estudantes e que eu possa inspirar outros jovens negros a se mobilizarem e acreditarem”, ressaltou.
UFBA em destaque
Hoje, o número de membros honorários da Galeria Simão Mathias chega a 84. Na UFBA, antes do professor Sérgio Ferreira, receberam a medalha os docentes Jailson Bittencourt, em 2007, e Maria das Graças Korn em 2023. O primeiro presidiu a SBQ de 1996 a 1998, além de ter criado o prêmio “QNInt Jailson Bittencourt de Andrade”, conferido a ideias originais e criativas para a formação do químico.
A professora Maria Korn foi diretora da divisão de química analítica, vice-diretora e tesoureira da SBQ de 2008 a 2012, com atuação em espectroscopia atômica e preparo de amostras, com aplicações ambientais, em medicamentos, combustíveis e alimentos.
“Tanto o professor Jailson como o professor Sérgio deram muitas contribuições como pró-reitores de pesquisa e pós-graduação. A professora Maria das Graças também figura como pesquisadora de destaque nacional e internacional. Soma-se a isso o fato de o professor Sérgio ser um docente negro, que mostra o diferencial da UFBA, mantendo em seus quadros desde muito tempo docentes negros com destaque em várias áreas”, destaca o diretor do instituto, Martins Dias de Cerqueira.
Quem foi Simão Mathias?
Segundo a direção da SBQ, o professor que dá nome ao prêmio é Simão Mathias, um dos quatro alunos da primeira turma de química da USP em 1935, sendo o primeiro doutor em ciências da universidade. Conhecido por seu interesse pela história de ciências e pela busca incansável pela Integração do conhecimento, fez parte do grupo de ciências do departamento de história da USP e fundou a Sociedade Brasileira de História da Ciência. Famoso por seu pioneirismo no ensino da físico-química, foi um dos idealizadores da SBQ em 1977.
Contatos:
Sociedade Brasileira de Química | de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 17h30 | Telefone: (11) 3032-2299
Instituto de Química UFBA | Ondina – R. Barão de Jeremoabo, 147 – Ondina, Salvador – BA, 40170-115 Telefone: (71) 3283-6800
Antônio Soares
Jornalismo Integrado I – GCOM0035
Graduando do 2° semestre de Jornalismo na Universidade Federal da Bahia


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