Pela primeira vez em Salvador, o Seminário AMIS UFBA 2025 contou com a presença de historiadores e comunicadores na área da mídia
O Centro de Pesquisa em Estudos Culturais e Transformações na Comunicação (TRACC) comemorou seu aniversário de 10 anos com o Seminário AMIS UFBA 2025 – Arquivos, Mídia, Imagem e Sociedade na quarta-feira (29) no auditório da FACOM. Pela primeira vez em solo soteropolitano, o evento debateu o papel da mídia na sociedade brasileira e francesa. Ele conta com financiamento do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) e apoio do Póscom/UFBA. A abertura foi comandada pela professora Marie-France, da Université Pantheon-Assas (Paris 2), que abordou os usos das inteligências artificiais (IA) em diferentes cenários do noticiário cotidiano.
O Seminário AMIS ocorre duas vezes ao ano desde 2021, com uma reunião presencial na França e outra no Brasil, com essa sendo sua última edição. O projeto reúne instituições como UFMG, UFRJ, Paris 2, Sorbonne Université (Paris 3) e outras. Salvador entra no mesmo grupo de cidades como Lyon, Paris, São Paulo e Rio de Janeiro.
Para Valéria Villas Boas, professora da UFS, a conexão com a França é importante por conta do seu modelo de arquivo público de imagem. No Brasil, os acervos de televisão são de responsabilidade das próprias emissoras, não existindo uma organização de livre acesso para os arquivos, diferentemente do modelo francês. “A gente precisa discutir a possibilidade de uma política de construção de acervo dos produtos de comunicação no Brasil. Eu acho que a gente precisa tomar como um ponto de partida para que isso seja feito de modo nacional, para promover uma interligação com outras universidades e outros programas de pós-graduação”, explica.

Valeria Villas Boas, professora da UFS presente no Seminário AMIS 2025
Para Itânia Gomes, coordenadora do TRACC, o evento trabalha a multidisciplinaridade entre os acadêmicos de ambos os países. “Esse é um grande desafio no mundo. Eles [pesquisadores franceses] dizem que estão trabalhando do ponto de vista da internet e da inteligência artificial de um modo mais aberto do que eles trabalham lá. Ao mesmo tempo, têm algumas experiências importantes para partilhar conosco. É um outro modo de pensar a relação com a mídia, então termina enriquecendo mutuamente as duas equipes”, explica.
“Faz com que a gente se mostre para a sociedade. É uma maneira de mostrar o impacto do que a gente faz aqui”, explica Lívia Vieira, vice-coordenadora do Póscom/UFBA. “A partir do momento que aparece Salvador, projeta o programa e a universidade também. Quando os franceses falarem de parcerias, vão falar da UFBA”.
O Seminário AMIS UFBA 2025 continuará sua programação até a sexta-feira (31), com mesas de debates sobre a história da mídia e arquivos audiovisuais e suas utilizações como memória.

