Exposição fotográfica sobre LGBTfobia estreia na UFBA

A mostra artística, do fotógrafo Genilson Coutinho, ficará na Escola de Administração da universidade até o dia 31

Exposição “Até Quando?”. Foto: Humberto Filgueiras

Por meio da arte, a exposição “Até quando?” denuncia casos de homicídio contra pessoas LGBTQIAPN+, que, segundo dados do Grupo Gay da Bahia, ocorrem a cada 23 horas no Brasil. A exibição acontece na Escola de Administração da UFBA (EAUFBA), onde permanecerá exposta até 31 de julho. O fotógrafo responsável pela elaboração do projeto, Genilson Coutinho, é ativista e membro do Conselho Municipal LGBT+ de Salvador.

O trabalho contém 13 fotografias que remetem a locais onde foram assassinadas vítimas de LGBTfobia. Cada imagem possui o nome da vítima homenageada, além de um QR code que direciona à notícia da sua morte no portal Dois-Terços. O site de notícias, criado por Coutinho há cerca de 17 anos, trabalha com a veiculação de notícias LGBTQIAPN+ na Bahia. O objetivo do fotógrafo é sensibilizar as pessoas acerca do tema, “chamar a sociedade para ‘colar’ conosco, ser aliada nessa luta. Estamos falando de direitos humanos, de vidas que são ceifadas, pelo simples fato de você sair da sua comunidade, do seu trabalho, e não voltar por ser gay, por ser trans, por ser lésbica”.

Um exemplo, que marcou o país em 2017, é o assassinato da travesti Dandara, que foi carregada em um carrinho de mão pelas ruas de Bom Jardim, bairro de Fortaleza, por seus agressores, até ser assassinada em praça pública. O veículo no qual a vítima foi carregada está exposto na mostra artística, assim como uma fotografia do local onde aconteceu o crime.

Obra “In Memorian of Dandara”. Foto: Humberto Filgueiras

Para Genilson, é importante a visibilidade para o combate a essas violências, porém com respeito à imagem das vítimas, a fim de garantir uma sensibilização não-apelativa. Segundo ele, o título da obra “Até Quando?” parte do anseio da comunidade quanto à violência constante à qual é exposta. “A ideia da exposição é essa: tentar humanizar as pessoas” , afirma o fotógrafo.

Genilson Coutinho, fotógrafo responsável pela mostra. Foto: Humberto Filgueiras

Coutinho sustenta a importância do envolvimento da universidade com a luta contra essa violência. O ativista defende que o ambiente tem o papel de transformação. “A ideia é que as pessoas entendam que nós temos que romper o muro da universidade, porque é aqui que acontece a construção do conhecimento e a formação do cidadão. Nós temos que sair daqui cidadãos melhores do que entramos”, constata o idealizador do projeto.

O evento teve como curador Leandro Colling, professor do IHAC e pesquisador dos temas da diversidade sexual e gênero. Convocado por Genilson para trazer o projeto à UFBA, o professor apoiou a iniciativa, pois considera ainda relevante a abordagem desse tema no espaço acadêmico. “Genilson teve a ideia de trazer a exposição para a universidade e eu a achei maravilhosa, porque ainda é muito importante que esses temas sejam tratados em nossa comunidade. Talvez fazer isso através da exposição seja mais produtivo para sensibilizar as pessoas”, defende Colling.

A mostra artística atrai acadêmicos e grupos ativistas envolvidos com a temática, como o Coletivo do Vale, organização LGBTQIAPN+ que promove ações de acolhimento interno de pessoas do grupo na EAUFBA. Segundo a integrante da diretoria do coletivo e mestranda em gestão social, Maria Isabel, a proposta do fotógrafo é crucial no trabalho do Vale, pois reforça iniciativas de inclusão e conscientização no local. “Quando é trazida uma exposição como essa, dá forças para afirmar nossa presença aqui. É uma calma, não deixa de ser um acalento”, declara a mestranda.

Maria Isabel, integrante do Coletivo do Vale. Foto: Humberto Filgueiras
Renildo Barbosa. Foto: Humberto Filgueiras

De acordo com o educador social Renildo Barbosa, Genilson é um gênio, pois trata de um tema delicado com sensibilidade. O educador ainda afirma: “É um tema muito sensível, mas que ele soube abordar. Emociona de qualquer forma, mas não é emoção a partir da violência, é emoção a partir da subjetividade que as fotos e as artes aqui expostas trazem”. Barbosa executou sua defesa de dissertação de mestrado “Além do Arco-Íris” sobre a análise de execução do Centro de Promoção e Defesa de Direitos de Pessoas LGBT+(CPDD), órgão do Governo do Estado voltado ao atendimento dessas pessoas. Na opinião de Renildo, órgãos como o CPDD existem principalmente por conta da violência a esses grupos minorizados, retratada na exposição “Até Quando?”.

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