Escola de Música comemora 70 ANOS com sinfonia de Beethoven em concertos gratuitos

Apresentação da Orquestra Sinfônica e Madrigal encerra calendário comemorativo do aniversário

Em celebração aos 70 anos da fundação da Escola de Música da UFBA, a Orquestra Sinfônica e Madrigal se apresentaram no Palácio da Reitoria entre os dias 20 e 21 de dezembro. Ao som da Nona Sinfonia de Beethoven, o evento aberto ao público que encheu o auditório no bairro do Canela marcou o fim de uma temporada de apresentações comemorativas.

Performada por alunos da casa e profissionais convidados, as noites simbolizam também a comemoração de aniversário dos grupos que se apresentaram. Tanto a OSUFBA quanto o conjunto de canto lírico foram criados em 1954 junto com a EMUS. A escolha da “Nona” para a ocasião segue a “tradição” criada em 2004, sendo performada também nos aniversários de 50 e 60 anos da casa. Ano passado a obra de Beethoven completou seus 200 anos.

Contando com 74 membros da orquestra e 76 cantores no coral, o evento de encerramento das atividades de 2024 contou com público de diversas idades. Muitos de pé em busca de um local para assistir ao espetáculo. “Esse foi só um dos 17 concertos que tivemos esse ano, sendo que normalmente são 25. Uma sala com mais de 400 lugares cheia, isso quando ainda falta recurso da universidade pública e mesmo sem a devida comunicação só mostra que há muita procura por aí atrás dessa forma de arte”, destaca Brandão.

FOTO: Gabriel Jones

Tanto o grupo vocal quanto a orquestra ocupam o papel de núcleos de extensão para os estudantes de canto lírico, instrumentos e composição e regência, além dos estudantes de mestrado. Ambientes de estudo e produção musical, esses espaços de laboratório permanecem em evolução e se conectam com a modernidade audiofônica, inovando também o ramo da música clássica.

“Como orquestra académica, acaba tendo um perfil muito peculiar”, explica José Maurício Brandão, diretor da EMUS e coordenador da OSUFBA e Madrigal. “Fazemos tanto repertórios clássicos da música de concerto, tipo Mozart, como também fazemos obras de compositores baianos atuais. Há o diálogo entre as músicas”, afirma Brandão.

MÚSICA CLÁSSICA EM SALVADOR

Conhecida pelos ritmos diversos, do Ijexá ao samba-reggae, a cidade de Salvador também é referência para música erudita, ainda que pouco reconhecida. “Salvador, apesar de não ser reverenciada pelos grandes centros, como São Paulo e Brasília, tem uma tradição muito forte da música erudita. É uma referência para mim, quando vejo de fora”, defende Adriano Pinheiro, professor da Universidade Federal de Goiás e solista convidado.

“É uma cultura que passa por figuras como do Padre José Maurício, primeiro negro compositor, até as atuais. Não há quem escute sem se emocionar e esse salão cheio prova isso. Somos plurais e a música deve ser assim também. Como primeira capital do Brasil, a tradição partiu daqui”, explica Pinheiro.

Como parte de seu papel ao longo dos 70 anos de existência, a Escola de Música também trabalha com a conservação de arquivos exclusivos que remontam parte da história musical de Salvador e da Bahia, disponíveis em acervos abertos. 

Documentos antigos de partituras e letras auxiliam os novos estudantes de música a se consultarem com os clássicos, assim como auxiliam para que esses registros não se percam com o tempo. “Esses documentos permitem que a gente tenha nosso trabalho gravado no papel, facilita nossa programação e deixa registrado o que veio antes”, aponta Jéssica Albuquerque, técnica da OSUFBA e contrabaixo da noite.

A música erudita baiana segue em renovação com novos compositores. Com nomes como Ilza Maria Costa Nogueira e Paulo Costa Lima, o gênero musical prossegue celebrando suas origens, mas sem se deixar ficar no passado. “A música erudita, assim como outros ritmos, é uma estética que vai mudando e se renovando com cada nova época. A música não para”, destaca Sônia Regina, parte da plateia.

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