Estudantes da UFBA enfrentam prejuízos por atrasos na emissão de diplomas

Representantes da SUPAC e do conselho acadêmico de ensino discutem a dificuldade de acesso ao diploma | Foto: Gabriel Leite

 

Por Gabriel Leite

Estudantes que concluíram a graduação na Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2025 e no primeiro semestre de 2026 ainda aguardam a emissão de seus diplomas. Entre os formandos de 2025.1, há casos que se aproximam de um ano de espera. Os estudantes cobram informações sobre o andamento dos processos e relatam prejuízos na vida acadêmica e profissional, enquanto a universidade atribui os atrasos a uma combinação de problemas técnicos, mudanças nos procedimentos e pendências específicas de cada caso.

“Os erros estão acontecendo e os prejuízos são inegáveis. A pessoa se forma, o que mais ela tem a fazer para receber o diploma?”, questiona Israel Ribeiro, de 41 anos, que finalizou o curso de Letras em 2025.  Ele foi um dos integrantes de uma reunião entre estudantes e representantes da universidade para discutir os atrasos na emissão dos diplomas. Durante o encontro, no dia 14 de setembro, os alunos apresentaram as dificuldades enfrentadas e cobraram esclarecimentos do andamento dos processos. 

Segundo representantes da Superintendência de Administração Acadêmica (SUPAC) e do Núcleo de Expedição de Diplomas e Certificados (NEDIC), entre os fatores que dificultaram a emissão estão problemas técnicos decorrentes da migração entre sistemas acadêmicos e a implementação do diploma digital.

A superintendente da SUPAC, Mireila de Miranda, explicou que a universidade precisou adaptar o fluxo de integralização curricular  e estruturar novos procedimentos para a emissão dos documentos. “Tivemos a migração do sistema e também a colocação do diploma digital”, afirmou. 

Os estudantes, por sua vez, reclamam não apenas do atraso na emissão dos diplomas, mas também da falta de comunicação dos setores responsáveis sobre o andamento dos processos. A estudante de Arquitetura Maria Luisa Mendes, de 26 anos, cobrou maior atenção da administração universitária às dificuldades enfrentadas pelos formandos e pediu que a instituição reconhecesse os prejuízos causados pela situação. “Eu quero uma postura solidária para com os estudantes, de entender que nada eles têm a ver com isso e que os prejuízos que eles estão tendo em suas vidas não deveriam acontecer”, afirmou durante a reunião.

 

Obrigatório


A emissão digital dos diplomas passou a ser obrigatória para as instituições de ensino superior, conforme a Portaria MEC nº 70/2025, que regulamenta a emissão e o registro dos documentos digitais e atualiza as normas estabelecidas pela Portaria MEC nº 554/2019.
A mudança ocorreu enquanto a UFBA também realizava a transição de seu sistema acadêmico. O SIAC (Sistema de Administração Acadêmica) foi substituído pelo SIGAA (Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas), a partir do semestre 2025.2, período em que a universidade passou a lidar simultaneamente com a migração dos dados e com a necessidade de estabelecer novos procedimentos para emissão dos diplomas.
A demora levou estudantes a cobrarem respostas da universidade. Em 9 de setembro, o representante discente no Conselho Acadêmico de Ensino (CAE), Murilo de Sousa Pereira, apresentou uma carta com uma moção de repúdio à situação. O documento relata atrasos na emissão dos diplomas, dificuldades de comunicação com os setores responsáveis e consequências acadêmicas e profissionais enfrentadas pelos egressos. Após a manifestação, foi realizada uma reunião presencial entre estudantes e representantes da universidade.
A reunião teve como objetivo discutir as demandas apresentadas pelos estudantes, explicar os problemas envolvidos na emissão dos diplomas e esclarecer dúvidas no andamento dos processos.
A falta de informações sobre as pendências também foi questionada durante o encontro. Bernardo Santos, 27 anos, formando de Letras, relatou que, durante meses, recebeu a informação de que faltavam documentos em seu processo, sem saber que também havia questões relacionadas à integralização curricular. “O que a gente ouviu nesse tempo todo foi a falta de documento. Mandei umas três ou quatro vezes o meu histórico escolar. Nunca nos foi informado essa questão”, afirmou.

Estudantes discutem com a superintendência da SUPAC sobre a questão dos diplomas | Foto: Gabriel Leite

 

Casos pendentes começam a ter solução


Durante a reunião, estudantes relataram dificuldades relacionadas a concursos públicos, seleções para professores substitutos, processos de pós-graduação e registro profissional. É o caso de Alisson Filipe Souza, de 27 anos, formado em Letras pela UFBA. Aprovado em um processo seletivo simplificado para contratação de professor substituto da própria universidade, na área de Filologia, ele relatou que temia que, caso fosse convocado sem o diploma, o candidato classificado logo depois dele pudesse contestar sua convocação e assumir a vaga em seu lugar.
“Ele tem respaldo para isso, porque lá no edital está explícito que, no ato da convocação, é preciso apresentar o diploma”, afirmou durante a reunião.
O caso de Alisson, no entanto, foi resolvido durante o próprio encontro. Ao consultarem o sistema da universidade, servidores identificaram que o diploma constava como emitido, embora não aparecesse para o estudante no SIGAA. Após receber orientações dos servidores, ele conseguiu acessar e baixar o documento no mesmo dia.
Alisson concluiu a graduação em 2025.1, último semestre de utilização do SIAC, e reingressou na universidade em 2025.2, já durante a utilização do SIGAA, desta vez na habilitação em Português como Língua Estrangeira.
A SUPAC explicou ao estudante que o diploma referente à habilitação concluída estava associado ao vínculo anterior com a UFBA, disponível em um perfil separado no novo sistema. Segundo Alisson, os servidores apontaram que outros formados daquele semestre podem estar na mesma situação, com o diploma emitido, mas sem saber como acessá-lo. “Não sabia que esse vínculo antigo estaria em um perfil à parte lá no SIGAA”, relata. Até o momento, a SUPAC ainda não disponibilizou um passo a passo com essas orientações aos estudantes.

 

Documentação

A chefa de emissão de diplomas, Lícia Maria, explicou que os atrasos não têm causa única. Enquanto alguns processos esbarram na localização e conferência de documentos, outros apresentam pendências relacionadas à integralização curricular, equivalências entre disciplinas ou inconsistências nos registros acadêmicos.
Durante a reunião, o NEDIC relatou dificuldades para localizar arquivos encaminhados pelos estudantes, que parte deles foi enviada por formulários, e-mails e sistemas que não são integrados. Isso fez com que, em alguns casos, documentos encaminhados fossem solicitados novamente. “Quando eu tento gerar o diploma, o sistema me diz: ‘olha, falta o documento’. Se não tem documento, a gente não consegue avançar”, explicou Lícia.

 

Novas medidas anunciadas

Ao fim da reunião, a SUPAC e o NEDIC anunciaram medidas para melhorar a comunicação com os estudantes e facilitar a resolução das pendências. Na última quarta-feira (7), a SUPAC publicou, em seu perfil no Instagram, um passo a passo com orientações sobre a documentação necessária para a emissão dos diplomas. Além de documentos de identificação, como RG e CNH, os estudantes devem apresentar um comprovante de conclusão do ensino médio. Segundo a SUPAC, parte dessa documentação deixou de estar disponível durante a migração entre os sistemas acadêmicos. O prazo para o envio dos documentos é 30 de novembro, por meio do Portal de Pesquisa da universidade.
Outra medida anunciada é o atendimento pelo Núcleo de Apoio ao Estudante (NAE). Estudantes que tenham realizado os procedimentos indicados e ainda enfrentem pendências poderão procurar o núcleo, das 7h às 16h, de forma presencial ou virtual. O setor deverá intermediar essas demandas junto ao NEDIC. O contato por e-mail com o núcleo responsável pelos diplomas também continuará disponível.
A SUPAC informou ainda que documentos e ofícios com orientações aos estudantes estão disponíveis em seu site, na seção de Gestão Acadêmica. Os setores também se comprometeram a responder individualmente aos estudantes que apresentaram reclamações e a produzir orientações gerais para aqueles que ainda não procuraram atendimento.
Para os próximos meses, a universidade estabeleceu como perspectiva eliminar as pendências referentes aos formandos de 2025.1 e avançar em mais de 70% dos processos de 2025.2 até o final de 2026. Segundo a superintendente da SUPAC, Mireila de Miranda, a intenção é chegar ao fim do ano com processos pendentes apenas entre os formandos de 2026.1.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *