Formandos da UFBA enfrentam dificuldades para conseguir diploma por conta de greve

Estudante caminha sozinha pelos corredores da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Ondina, durante período de paralisação | Foto: Isabelle Rocha

por: Isabelle Rocha

Estudantes prestes a se formar na Universidade Federal da Bahia (UFBA) enfrentam dificuldades para conseguir o diploma por conta da greve dos técnico-administrativos, iniciada em 5 de março de 2026. A suspensão dos serviços atinge também alunos do Bacharelado Interdisciplinar(BI), que estão com o final do curso e o início de novas graduações comprometidos.

 “Não faço ideia de quando terei o meu diploma”, lamenta Mariana Moreno, 24 anos, taróloga e concluinte do Bacharelado Interdisciplinar em Artes. O alívio na reta final da trajetória acadêmica, de acordo com Mariana, se tornou sinônimo de frustração por não conseguir o diploma. Sem o documento, é impossível também dar entrada no pedido de ingresso em novos cursos após o término do BI. 

O resultado disso são sintomas de ansiedade, como descamações e vermelhidão no couro cabeludo. Mariana conta que a comunicação com o colegiado do curso sempre foi confusa e sem as orientações que buscava. “Fui diversas vezes ao colegiado e não sabiam esclarecer as minhas dúvidas. As minhas horas complementares, por exemplo, só foram computadas após certa insistência”, lamenta.

Com a paralisação, serviços como a análise de documentos e a atualização de sistemas ficam suspensos ou operam de forma reduzida, o que compromete o andamento dos pedidos de diplomação.

Estudante da UFBA observa a faixa da greve dos técnico-administrativos no portão 1 do campus Ondina | Foto: Isabelle Rocha
ANSIEDADE – Outro formando do BI em Artes é Matheus Araújo, 22 anos, pesquisador de iniciação científica. Ele resume a situação como “desgastante”. Além de reclamações sobre a colação de grau não ter ainda data definida, o que dificulta seu futuro profissional, ressalta que a transição para um novo curso também é preocupante. 

“Muitos alunos entraram nos cursos quase quatro semanas após o início das aulas”, disse. Esse prejuízo leva ao acúmulo de faltas e a perda de conteúdos discutidos em sala de aula. 

Manuella Mota, 27 anos, empreendedora, pode ter sua colação de grau do curso de zootecnia adiada por conta da greve. A previsão para a formatura é em agosto de 2026, entretanto, com dificuldades para realizar a matrícula em componentes curriculares obrigatórios, a finalização da sua trajetória acadêmica torna-se mais difícil.

Moradora do município de Madre Deus, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), Manuella conta que após seis anos de estudos com uma rotina exaustiva, a possibilidade de adiamento da graduação ocasionou em uma aflição cotidiana. Seu caso foi levado à coordenação do curso em março de 2026, mas até o momento não foi resolvido. “Estou completamente frustrada, tenho medo de não conseguir me formar a tempo.” Completa. 

Entenda a greve

A greve na UFBA teve início em 5 de março de 2026 e segue acontecendo até a data de fechamento desta matéria (27 de maio). Entre os motivos estão a não efetivação da jornada de trabalho de 30 horas semanais e a falta de reestruturação de cargos.

Em 2024, o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação das Universidades Públicas Federais no Estado da Bahia (Assufba) encerrou uma paralisação após firmar o Acordo de Greve nº 11/2024 com o Governo Federal. O documento previa medidas para o encerramento das greves e a reestruturação das carreiras. No entanto, o descumprimento integral do acordo motivou a retomada da paralisação.

Faixa da greve no portão principal do campus de Ondina, UFBA | Foto: Isabelle Rocha

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