Cerca de 500 estudantes e professores assinam abaixo-assinado para construção de restaurante universitário na Politécnica

A caminho das aulas, estudantes tomam café no "Cafezaço" e aproveitam para assinar o abaixo-assinado | Foto: Elisa Martins

por: Elisa Martins

Estudantes e professores da Escola Politécnica da UFBA (Epufba) assinaram um abaixo-assinado pela construção de um restaurante universitário no prédio. Até o dia 27 de maio, a iniciativa reunia cerca de 500 assinaturas. A mobilização é uma iniciativa do coletivo estudantil Movimento Correnteza. A previsão é de que o documento seja entregue no próximo semestre à nova gestão da reitoria.

O principal motivo da reivindicação, de acordo com estudantes do Movimento Correnteza, é a distância da Politécnica em relação aos restaurantes ofertados pela universidade. Os mais próximos são os dos campi de Ondina e São Lázaro, que ficam, respectivamente, a 700 e 750 metros.

Maria Eduarda Borges, 20, estudante de Engenharia Elétrica na Politécnica, assinou o abaixo-assinado em março, durante uma iniciativa chamada “Cafezaço”, quando são vendidos kits de café da manhã e os consumidores são incentivados a assinar o abaixo-assinado. “O deslocamento bagunça a rotina. Nós almoçamos rápido para voltar a tempo da aula ou ir trabalhar. Para conseguir uma ficha que permite a entrada no restaurante, às vezes é preciso esperar uma hora e meia na fila”, lamenta.

Escada da Politécnica, principal caminho trilhado pelos estudantes para chegar ao campus Ondina | Foto: Elisa Martins
SOLICITAÇÃO – O abaixo-assinado pede ainda a ampliação das fichas nos restaurantes universitários em funcionamento. Como consta no contrato da universidade com as terceirizadas, o número de fichas chega a 1.500 no restaurante de Ondina e 500 em São Lázaro. Além disso, ele também exige a criação de outros novos restaurantes, ainda sem locais definidos.

De acordo com Louise Ferreira, integrante do Movimento Correnteza e diretora de universidades públicas da União Nacional dos Estudantes (UNE), a quantidade de fichas oferecidas não consegue atender todos os estudantes. “Os alunos da Politécnica, quando vão para outro campus almoçar ou jantar, às vezes não conseguem se alimentar. Dependendo do horário, não tem mais fichas. Considerando que em alguns casos essa seja a principal refeição de qualidade que fazem no dia, o acesso ao restaurante se torna essencial para a permanência estudantil”, afirma.

O movimento estudantil pretende fazer novas edições do “Cafezaço” em diferentes pontos da universidade. O objetivo é obter mais assinaturas e facilitar o acesso à alimentação pela manhã. No primeiro dia, foram vendidos 45 kits, cada um por R$ 2,50, com um copo de café, uma banana e pão com manteiga.

Professora Alessandra Assis na 1ª edição do Cafezaço, no dia 26 de março. O evento conseguiu 250 assinaturas para o abaixo-assinado | Foto: Elisa Martins
PÚBLICO –  No segundo semestre de 2025, a diretoria da Politécnica contabilizou 4.875 pessoas que frequentam a unidade, entre estudantes, professores e servidores técnico-administrativos. Desse número, 3.886 eram alunos de graduação, espalhados por 13 cursos.

De acordo com o diretor da Epufba, Marcelo Embiruçu, o projeto para a construção do restaurante é discutido há um ano e meio com a Superintendência de Meio Ambiente e Infraestrutura (SUMAI), órgão da UFBA responsável pelo planejamento e coordenação de infraestrutura. É estimado R$ 1.946.753,25 para a construção, com previsão para funcionar com até 800 fichas de acesso. 

O plano é que o restaurante seja no 4º andar da Politécnica, especificamente no local onde está a atual cantina “Xica Lanches e Refeições” e o Hub Estudantil e de Inovação (Hei). Por esse motivo, mais duas construções serão necessárias para realocar esses espaços.

Contudo, como o diretor explica, existem três questões que precisam ser superadas: a falta de recursos financeiros para a construção; a falta de documentação técnica para licitar a obra; e a falta de recursos para o funcionamento do restaurante. Até então, o que está acontecendo é a solicitação de contribuição de políticos para a construção.

“Embora não tenhamos ainda obtido todos os recursos necessários, o projeto está caminhando bem. Temos encaminhados entre R$ 1,6 e 1,7 milhão em emendas parlamentares de deputados”, afirma.

Planta do restaurante universitário da Epufba | Imagem: Solicitação de financiamento
Procurada, a SUMAI não se pronunciou sobre o andamento do projeto.

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