Paloma amado, filha do escritor, esteve presente
Por: Malu Sampaio
O festival “Jorge Amado: Sabor e Arte” homenageou as obras do escritor baiano em um jantar com pratos retirados de sua literatura, com a presença de Paloma Amado. As comidas e drinks, preparados por estudantes de gastronomia da Universidade, saíram das linhas do escritor, desde o “Vatapá de Dona Flor” até o “Doce de puta” mencionado em “Tieta do Agreste”. Já as bebidas faziam referência às personagens literárias, como os drinks “Gabriela” e “Tereza Batista”. O evento que aconteceu no auditório da Faculdade de Nutrição reuniu os professores Alba Valéria e Márcio Luckesi na última terça-feira (21).

Paloma Amado, segunda filha do autor, ressaltou a relação de seu pai com a gastronomia. Também escritora, Paloma tem dois livros publicados sobre a culinária na vida e obra do escritor baiano: “As frutas de Jorge Amado” e “A comida baiana de Jorge Amado”, que foram utilizados como guia para a curadoria gastronômica do evento. A literata contou que o processo de escrita dos livros se deu após uma pesquisa das obras de seu pai, em que percebeu que a gastronomia estava muito presente. Na oportunidade, a autora pontuou a estreia da segunda temporada de seu programa “Manga Rosa” no canal “Gnt”, roteirizado por sua filha Cecília Amado. Nele são debatidos temas como gastronomia e sexualidade, apresentado pela jornalista Dadá Coelho.
O festival, organizado pela professora Ingrid Lessa, é parte do processo avaliativo da disciplina “Eventos Gastronômicos”, em que os alunos são desafiados a desenvolver cerimônias como esta. A docente revelou que desde o início do processo de elaboração os estudantes possuíam a gastronomia baiana, literatura e arte em mente. “A gente chegou em um denominador comum que é Jorge Amado. Ele consegue reunir todas as questões da nossa cultura e trazer a gastronomia em suas obras. Além disso, conseguimos enxergar a arte por trás delas”, declara.

A estudante Eduarda Tuiuti, diretora de comunicação do evento, expôs que um dos objetivos da disciplina é trazer a gastronomia em suas diversas vertentes e mostrar que a prática vai muito além do ato de cozinhar. Guilherme Reis, estudante do curso, destacou o interesse por um aspecto gastronômico que ainda não havia estudado: a sexualidade na culinária. O aluno enxerga a importância da palestra para sua formação: “Eu achei o festival muito relevante. Trouxeram a filha do maior escritor baiano na minha opinião. Ela é uma mulher que traz a força da gastronomia baiana”, relata.


A professora Alda Valéria ensinou gastronomia durante oito anos, com foco em literatura e comida. Na oportunidade, a educadora apresentou uma análise da obra “Dona Flor e seus dois maridos” e a conexão criada pelo autor entre sensualidade e culinária através do personagem Vadinho. Já o professor e cozinheiro profissional Márcio Luckesi destacou a influência do litoral baiano na construção dos pratos típicos da região, muito presentes na obra de Jorge Amado. Além da culinária que “vem do mar”, o docente destacou a emersão de novos olhares para a culinária baiana assim como do cultivo de novas culturas no Estado, a exemplo da Chapada Diamantina, que coloca a Bahia na quarta posição em relação aos estados que mais produzem café no Brasil.



