Brasil e China comemoram 50 anos de relações diplomáticas em festivais de cinema entre os países
Celebração do cinquentenário de retomada das relações diplomáticas entre Brasil e China, em Salvador, foi marcada pelo o festival Encontro Cinematográfico Transoceânico, que exibiu, no início de dezembro, produções da Shanghai Film Academy como parte de evento aberto ao público na Faculdade de Comunicação da UFBA. O festival sinaliza o fortalecimento da cooperação entre as instituições de ensino parceiras, além da oportunidade de realização de mais intercâmbios culturais e estudantis. Contando com palestras, longas e curtas metragens de professores e alunos, as exibições de 16 curtas e 2 longas-metragens de gêneros variados ocorreram entre os dias 03 e 06.
As produções chinesas foram selecionadas pensadas para o público baiano e em como apresentar as diferentes realidades do país, hoje, maior parceiro comercial e principal destino das exportações brasileiras. “Queremos que a audiência brasileira, através das obras, possa ter noção do país desde os grandes centros urbanos até as zonas rurais. China e Brasil são países muito grandes e com muita diversidade. É difícil mostrar tudo só em alguns filmes”, relata Tianyi Wang, professor da Shanghai Film Academy.

Foto: Gabriel Jones
Apenas 34 filmes estrangeiros por ano são permitidos de participar do circuito cinematográfico chinês, o mais lucrativo do mundo na atualidade, 13,4% da quantidade de filmes estrangeiros lançados no Brasil em 2023. Para Wang, o evento é uma oportunidade de conhecer outros modos de contar histórias e se inspirar para fazer filmes. “Minimamente há maior troca de cultura e a possibilidade de mais intercâmbios”, afirma Leonardo Costa, diretor da FACOM.
Para o público presente durante as sessões, a arte foi capaz de superar as barreiras linguísticas e culturais diante da tela. “É sempre importante ter intercâmbio com as culturas mais diferentes porque isso acrescenta à forma como vemos nosso próprio cinema e abre margem até para mudarmos como fazemos”, enfatiza Cecília Vera, estudante de produção cultural. “As pessoas têm muito preconceito com a China e essa forma de ver o mundo impede de apreciar uma arte que é diferente da sua. Acham que é tudo uma coisa só quando não é.”
Alguns meses antes do evento em Salvador, o clima de comemoração já era instaurado no gigante asiático. Feito através do Instituto Confúcio, instituição responsável por organizar cooperações entre universidades brasileiras e chinesas, o Festival Brasil-China: Memória, Cultura e Contemporaneidade foi realizado em Shanghai entre os dias 21 e 25 de outubro. A Faculdade de Comunicação, o Instituto de Letras e as escolas de artes da UFBA levaram uma comitiva de 33 docentes e discentes para apresentar, entre outros eventos culturais, uma mostra de filmes de diretores baianos por meio de políticas de apoio financeiro do Governo do Estado.
Com crescente destaque nas negociações internacionais Brasil-China, a Bahia recebeu o investimento de R$9 bilhões do país asiático, ainda em dezembro deste ano, para a construção da megaponte Salvador-Itaparica por meio de um consórcio de empresas de construção. Outro grande investimento no estado foi da empresa de carros elétrico BYD, em outubro de 2023, em Camaçari, contabilizando R$3 bilhões para transformar a região no “Vale do Silício brasileiro” e a promessa de geração de 5 mil empregos diretos e diretos, segundo a diretoria da empresa nas américas.
Ao comparar o cinema brasileiro e o chinês, Bin Zhang, professor e palestrante da Universidade de Shanghai, comenta sobre os eixos comuns que enxerga nas duas práticas. “Os filmes chineses prestam muita atenção nas reflexões humanas através das histórias, textos e emoções. Acho que esse é um ponto de similaridade com o cinema brasileiro”, reflete Zhang. “Através dos filmes podemos conhecer a história de um país, mas também perceber os pontos comuns entre as culturas.”
Desde 2020, a China lidera os números de maior bilheteria no mundo, ano após o outro, se distanciando de Hollywood e dando preferência para as produções internas. O recorde de US$5,5 bilhões na bilheteria, atingido em 2023, foi cerca de 15 vezes maior que a bilheteria brasileira do mesmo ano e se concentrou em sucessos locais sobre a realidade e história chinesa.

