Exibição foi gratuita e contou com estudantes, docentes e membros da comunidade externa.
Créditos: Lacine - UFBA
Por Samuel Mendonça
Estudantes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) lançaram, na sexta-feira (28), o documentário “A Noite de Salvador”. A obra aborda diferentes aspectos do trabalho noturno na capital baiana, debatendo as qualidades e riscos envolvidos nesse meio, como a exposição à violência e as dificuldades que afetam o setor. São apresentados também relatos de pessoas que curtem, trabalham e atuam na promoção dos eventos. A estreia ocorreu no auditório da Faculdade de Comunicação (FACOM), em Ondina, e contou com apresentações culturais e um bate-papo com profissionais ligados à cena de entretenimento da cidade.
O documentário é o principal produto da campanha Conviver com Respeito, da Agência Experimental de Comunicação e Cultura (AECC), projeto de extensão vinculado à FACOM, e foi idealizado pelo estudante Júlio Dias.
A ideia do curta-metragem surgiu a partir de uma inquietação de Júlio: “A noite de Salvador morreu?”. Com essa dúvida na cabeça e uma ideia de roteiro no papel, a produção foi iniciada. “A ideia surgiu da curiosidade e vontade de viver a noite”, afirmou.
Três Perspectivas
O documentário foi dividido em três atos: risco, trabalho e expressão. Cada parte apresenta uma perspectiva diferente da vida noturna da capital baiana. O primeiro ato aborda os perigos enfrentados tanto por quem trabalha quanto por quem frequenta a noite de Salvador.
O segundo momento concentra-se nas pessoas que atuam diretamente no setor, como proprietários de casas de show, artistas e produtores culturais. A proposta é apresentar a complexidade do atual mercado de entretenimento e discutir os diferentes fatores que influenciam esse cenário.
O último ato assume um caráter mais artístico e reúne relatos de artistas sobre suas experiências e percepções a respeito da noite soteropolitana.

Cerimônia realizou mesa de “cinedebate” que reuniu os diretores Júlio Dias e Cristhian Lavigne, a roteirista Alice de Freitas e o produtor cultural Eldo Boss. Créditos: Lacine – UFBA
Novos espaços
Após a aprovação do projeto pelos outros integrantes do projeto de extensão, começaram as gravações e entrevistas com diferentes personagens. Entre os entrevistados está Júlia Seixas, DJ e responsável pela festa Fervo, que teve sua última edição realizada no espaço Red River no Rio Vermelho. A artista afirma que o evento foi criado em fevereiro de 2026 para o público universitário e se tornou um ambiente seguro para mulheres e pessoas da comunidade LGBTQIAPN +.
Para Júlia, participar da produção também representou uma forma de reconhecimento do trabalho desenvolvido na cena noturna da cidade. “Foi muito especial, senti que meu trabalho está sendo valorizado. A Fervo está começando a ganhar espaço na noite soteropolitana e as pessoas estão querendo saber mais da festa e fazer parte desse movimento”, declarou. A próxima edição será na Boate San, também no Rio Vermelho, um espaço diferente e maior que o das anteriores.
Além da exibição do documentário, o público acompanhou o show da banda Gato Torto e participou de uma conversa com Eldo Boss, cantor, compositor e um dos responsáveis pelo selo Discodelia.



Ao final do evento, estudantes dialogaram com a Mesa a respeito de suas vivências em eventos noturnos de Salvador e compartilharam suas experiências sobre o filme. Créditos: Lacine.
Registro Histórico
Durante o bate-papo, Eldo destacou a importância da produção como forma de preservar a memória da noite soteropolitana diante das transformações pelas quais a cidade passa.
“O documentário é muito importante para documentar uma época, serve como uma forma de registro histórico”, assinalou.
O diretor do filme, Cristhian Lavigne, também ressaltou o caráter histórico da produção. Segundo ele, o processo de realização envolveu dificuldades relacionadas ao uso dos equipamentos que foram cedidos pela universidade para o processo de operação, captação de imagens e deslocamentos necessários para gravação de imagens e entrevistas.
“Dirigir um projeto é sempre muito difícil por lidar com os equipamentos e a distância de alguns lugares da pesquisa cultural que a gente realizou, mas estou muito feliz com o resultado. Tivemos conteúdos muito bacanas que servirão como registro desse tempo”, completou.
Lavigne classifica a noite de Salvador como “complexa” e lembra que ela está em “constante transformação”. Por isso, o documentário serve como um relato do tempo presente. Daqui a alguns anos, se uma obra com a mesma temática for produzida em Salvador, o resultado pode ser completamente diferente.
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Show de Encerramento
Após a exibição do documentário e a mesa de bate-papo, a banda Gato Torto encerrou a programação do evento. O grupo apresentou um repertório de rock e animou o público presente na cerimônia de lançamento.
O vocalista da banda, João Pedro Wanderley, celebrou a oportunidade de participar do evento. “Foi maravilhoso fazer parte do lançamento. Poder somar com o pessoal me fez muito bem, principalmente fazendo algo que me agrada bastante, que é compor e tocar. Ver tudo ganhando forma e materialidade, o evento rolando e lotando, foi o máximo”, disse.

Gato Torto apresentou um repertório pensado para a estreia do documentário, que contou com a música-tema “O Que Aconteceu com a Noite”, composta por Tony Lopes e João Pedro Wanderley. Créditos: Samuel Mendonça
Onde assistir
A organização informou que o documentário será disponibilizado no canal do Youtube da Agência Experimental de Comunicação e Cultura, ainda sem data definida. O canal da AECC pode ser acessado através do link: youtube.com/@aeccufba.
Samuel Mendonça
Repórter Notícias da UFBA
Estudante de Jornalismo da UFBA, atua com comunicação esportiva através da página @/manchamendonca, via redes sociais, e faz parte da Liga de Jornalismo Esportivo da UFBA (LJEU)

