Promovido por docente da Escola de Enfermagem da UFBA, em edital da PROEXT, a iniciativa ampliou o conhecimento dos estudantes sobre transplantes.
Luiza Freitas

Participantes do Curso “Cuidado ao paciente Transplantado renal e hepático” (Foto: Luiza Freitas)
O transplante renal e hepático não tem, no curso de Enfermagem da UFBA, destaque nas disciplinas básicas, nem mesmo em disciplinas optativas. Assim surgiu a ideia do curso de extensão intitulado “Cuidado de Enfermagem ao paciente transplantado renal e hepático”, promovido por edital da PROEXT. No último dia 17, no auditório da Biblioteca Universitária de Saúde (BUS), a iniciativa proporcionou aos participantes aprofundamento sobre o assunto.
“Ao comentar com os estudantes que eu trabalhei como enfermeira do transplante no Hospital São Rafael, o grupo solicitou uma atualização sobre o tema porque é algo que, apesar da transversalidade existente no curso de Enfermagem, não consta na grade curricular do curso“, compartilha Cláudia Pires, docente da Escola de enfermagem da UFBA que ministrou o curso.
Os alunos que participaram comentaram que propostas como essa ampliam a possibilidade de acessar ou projetar os caminhos profissionais futuros: “Eu sempre participo quando tem algum curso extra, com uma temática diferente, porque eu acho que é a oportunidade de visualizar uma perspectiva de profissão”. E acrescenta: “Principalmente, porque na graduação básica a gente não consegue acessar todas as possibilidades que a profissão tem. Ao participar de um curso específico, você consegue ver uma nova carreira”, comenta Gabriel Santana, estudante do 4º semestre de enfermagem.

Gabriel Santana, estudante da EEUFBA, 4º semestre (Foto: Luiza Freitas)
O transplante é um procedimento cirúrgico necessário às pessoas que apresentam condições médicas as quais comprometem de forma grave a funcionalidade de determinado órgão ou tecido, provocando assim, ameaça a saúde. Com isso, é feita a transferência de um órgão ou tecido, em estado regular, no lugar daquele lesado.
Enquanto o transplante renal se refere à substituição de um rim comprometido por outro saudável, o transplante hepático envolve a substituição de um fígado comprometido, por um saudável. A substituição se dá a partir de doação, que em ambos os casos pode ser, não só de doador que tenha falecido, mas também vivo, desde que haja observância da compatibilidade e da legislação brasileira.
Dados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil é o terceiro maior transplantador de rim do mundo, representando 70% dos transplantes de órgãos. No ano de 2022, 4.828 procedimentos desse tipo foram realizados. Ainda, conforme dados do Registro Brasileiro de Transplantes, em Março de 2023, a lista de espera para transplante de fígado continha entre 1.302 pacientes adultos e 59 pediátricos. No último ano, em 2022, 2.135 procedimentos de transplante hepático foram realizados.
Segundo Cláudia Pires, por não dispor de cursos de residência a nível estadual, e não constar na grade curricular dos cursos de enfermagem, essa é uma área de importante inserção da enfermeira no mercado de trabalho. Por conta disso, aponta que é imprescindível a atualização sobre o tema para alcançar uma melhor atuação e capacitação para cuidar de pessoas submetidas ao implante de fígado e de rim.
Com relação ao impacto do cuidado de enfermagem, no processo vivenciado pelos pacientes transplantados renal e hepático expõe: “Sem o profissional capacitado de enfermagem na área de transplante, torna-se inviável o processo. Pela complexidade do cuidado prestado ao receptor, pensando na prevenção do risco de rejeição. O cuidado de enfermagem propicia uma melhor reabilitação e sucesso do enxerto, o transplante”.
A adesão ao curso foi visível, já que as vagas se esgotaram 30 dias antes da data do curso. O que demonstra a relevância da oferta de cursos, em todas as unidades da universidade, para o alunado, assim como à comunidade externa. Mais do que a oferta, a efetiva divulgação dessas ações beneficiaria as pessoas cada vez mais, é como destaca Gabriel Santana: “Percebo pelo grupo que faço parte, que estamos sempre buscando ações como essa. Mas, no geral, não vejo que todas as pessoas participam. Acredito que a oferta de cursos acontece frequentemente, mas eu não sei se o acesso é divulgado da forma como deveria”.
MEDIDAS DE CONSCIENTIZAÇÃO E INCENTIVO
A remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano, é regulamentada pela lei n°9.434 de 1997. Recentemente, em oito (8) de novembro, o Presidente Lula, sancionou a lei n°14.722/2023, conhecida como Lei Tatiane, que cria a Política de Conscientização e Incentivo à Doação de Transplante de Órgãos e Tecidos. A lei entrará em vigor em 90 dias, no mês de fevereiro de 2024.
Este ano, até agosto, segundo dados do Ministério da Saúde, foram realizados mais que o dobro de transplantes de órgão em comparação ao mesmo período de 2022. A quantidade chegou a 5.914 procedimentos. A nova lei prevê a capacitação de profissionais de saúde e a perspectiva é que cada vez mais a população se conscientize sobre a doação de órgãos e tecidos.

