Retratos de Kayodê: exposição na UFBA homenageia Mãe Stella de Oxossi

20º congresso da Associação Brasileira dos Professores de Italiano promove exposição em homenagem à iyalorixá entre os dias 7 e 17 de novembro.

Luanda Costa 

Odé Kayodê significa “o caçador que traz alegrias”. Este era o nome de Mãe Stella de Oxossi no candomblé. Seu matriarcado encerrou-se depois de quase cinquenta anos à frente do Ilê Axé Opô Afonjá, o terreiro mais antigo da história do Axé. A iyalorixá tem a chance de trazer alegria aos estudantes e visitantes da universidade, mesmo após 5 anos desde seu falecimento, a partir de uma exposição de fotografias que mostram sua trajetória, intitulada “Retratos de Kayodê”. As imagens foram feitas por Antonello Veneri, fotógrafo e vídeo-documentarista italiano.

As fotografias estão expostas no Pavilhão de Aulas Glauber Rocha, entre os dias 7 e 17 de novembro. A curadoria e organização foi feita por Alessandra Caramori, professora de letras do instituto, a fim de compor a programação do 20º congresso da Associação Brasileira dos Professores de Italiano. O tema desta edição, que ocorre pela segunda vez em Salvador desde 2001, é Transformações, Hibridações e (Re)definições em curso na Língua, na Literatura e na Cultura italiana. 

A conexão entre baianidade e a cultura italiana, no intuito de entendê-la “de dentro para fora” é realizada por meio da exibição do acervo de imagens de Mãe Stella, expostas também em agosto na Festa Literária Internacional do Pelourinho (FLIPELÔ). “São fotos da alegria espiritual. Ela era uma pessoa muito alegre. É uma oportunidade para os alunos que não a conhecem para se aproximar fisicamente e espiritualmente dela.” conta o fotógrafo Antonello também em entrevista para a TV UFBA.

Daniel Araújo, estudante de jornalismo (Fotografia: Luanda Costa)

Daniel Araújo, estudante de jornalismo da Faculdade de Comunicação (FACOM), visitou a exposição e acredita que ela seja de extrema importância para a comunidade universitária. “A  exposição reforça uma humanização de pessoas que cultivam o candomblé e religiões de matriz africana.  Muitas pessoas as enxergam com certo distanciamento, então a fotografia aproxima a figura de Mãe Stella dos estudantes” , afirma.

Daniel Araújo, estudante de jornalismo (Fotografia: Luanda Costa)

“Essa exposição marca bem o encontro de um fotógrafo italiano com uma iyalorixá baiana, trazendo hibridismo e ancestralidade.” conta a organizadora da exposição. Ela defende a valorização dos encontros, migrações e o novo italiano também intentados pelo congresso nessa semana.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *